Tensão cresce na França após dia de caos, saques e destruição com impacto bilionário no comércio
- out 19, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Mais de meio milhão de pessoas foram às ruas contra a alta do custo de vida e os cortes públicos; Macron fará pronunciamento à nação neste domingo após confrontos deixarem um morto e mais de 2 mil presos.
A França vive um dos momentos de maior instabilidade política e social dos últimos anos. Neste domingo (18), novos confrontos entre manifestantes e forças de segurança eclodiram em Paris, com a polícia voltando a disparar gás lacrimogêneo e barricadas de bicicletas sendo incendiadas na tradicional Place de la République. O clima de tensão na capital segue elevado um dia após atos violentos tomarem conta de dezenas de cidades do país.
O balanço do sábado (17) aponta que mais de meio milhão de pessoas participaram de marchas pelo país. O movimento, que começou há um mês liderado por estudantes devido à precariedade das escolas e à escassez de professores em bairros periféricos, ganhou adesão massiva ao encampar pautas contra o desemprego, a inflação, o aumento do custo de vida e o sucateamento dos serviços públicos.
A mobilização, contudo, degenerou em tumultos generalizados provocados por grupos radicais. Segundo dados informados pelo Ministério do Interior, os conflitos resultaram na morte de um manifestante por parada cardíaca em Paris, no ferimento de mais de 600 policiais e em mais de 2 mil prisões em todo o território francês.
Foto: RS/Fotos Públicas | ![]() Foto: RS/Fotos Públicas |
Rastro de destruição e prejuízos no comércio
A violência de sábado deixou marcas em diversas regiões, de Lille a Marselha, e de Estrasburgo a Bordeaux. Prédios públicos foram atacados, butiques de luxo e supermercados acabaram saqueados, enquanto veículos e forças policiais foram alvo de vandalismo.
Em Bordeaux, onde uma multidão mascarada invadiu a residência do prefeito local, o gestor Thomas Cazenave informou que cerca de 100 estabelecimentos comerciais foram saqueados. Já em Marselha, o prefeito Benoit Payan anunciou uma verba de emergência para socorrer os lojistas afetados.
O impacto financeiro no setor varejista promete atingir cifras milionárias. O presidente-executivo do grupo Carrefour, Alexandre Bompard, declarou à emissora BFM TV que 50 lojas da rede foram danificadas, das quais 20 acabaram completamente saqueadas, resultando em perdas estimadas em dezenas de milhões de euros.
Um dos episódios mais graves ocorreu em Limoges, no sudoeste do país, onde a prefeitura histórica de 143 anos foi incendiada e praticamente destruída. O prefeito Guillaume Guerin denunciou a ação criminosa:
“Houve uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura, e as pessoas que estavam lá dentro temeram por suas vidas”, afirmou Guerin à Reuters, ameaçando renunciar ao cargo caso o município não receba recursos para a reconstrução do prédio.
Foto: RS/Fotos Públicas |
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Pressão política e pronunciamento do Executivo
O cenário caótico eleva severamente a pressão sobre o Palácio do Eliseu. O acirramento das ruas reflete o descontentamento popular acumulado contra o presidente Emmanuel Macron, que encerrará seu mandato em 2027 após uma década marcada por desgastes sociais, baixo crescimento econômico e alta dívida pública.
Enquanto o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e o ministro do Interior, Laurent Nunez, atribuíram o caos a grupos de extrema esquerda, ultra-esquerda e criminosos comuns, a oposição aproveitou o momento para subir o tom. O líder da extrema direita, Jordan Bardella, pediu abertamente a renúncia de Macron.
“Estamos pagando por décadas de negligência, perda de autoridade e pelo desarmamento moral, psicológico e material de nossas forças de segurança interna”, declarou Bardella durante visita a uma delegacia na capital.
Diante do agravamento da crise, o ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos empresários afetados e garantiu punição severa aos responsáveis pela depredação: “Quem destruir coisas vai pagar, reparar os danos e ser responsabilizado por sua intenção de semear o caos”.
O gabinete presidencial confirmou que Emmanuel Macron fará um pronunciamento oficial à nação às 20h (horário local) deste domingo, quando deve anunciar medidas para conter a crise social e institucional. (com informações da Agência Brasil)
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