Os gregos foram às urnas domingo (17), pela segunda vez em pouco mais de um mês, numa votação que deve decidir muito mais do que a composição das 300 vagas do Parlamento. A eleição, na prática, definirá se o país continuará a usar o euro ou se retirará do grupo de Estados que adotam a moeda única, com desdobramentos que podem trazer sérias consequências para a economia mundial.
A saída da zona do euro, no entanto, pode piorar a situação. Se os gregos voltarem a adotar o dracma como moeda, a inflação no país pode disparar. Além disso, uma eventual moratória na dívida pública grega intensificaria a desconfiança em relação a outros países do bloco econômico, principalmente a Espanha e a Itália, mas os reflexos seriam sentidos em todo o planeta.
- Nenhum economista pode prever se a saída da Grécia terá o mesmo efeito da quebra do Lehman Brothers [que desencadeou a crise mundial em 2008], mas o mais provável é que a expulsão do país da zona do euro provoque corridas bancárias em outros países e contamine o ambiente global - diz o professor André Nassif, especialista em economia internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV).


