O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que deve concluir em até 15 dias o r
elatório sobre o apagão que afetou mais de 50 milhões de pessoas em nove estados do Nordeste e em áreas de Tocantins e Pará na sexta-feira (26). O relatório será entregue à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Caso sejam constatadas irregularidades, a sanção pode ir de uma advertência a multa de até 2% sobre o faturamento anual da empresa responsável pelo erro. A análise levará em conta ainda a extensão geográfica e a duração do desligamento.
O quinto apagão em pouco mais de um mês foi provocado por um curto-circuito seguido de incêndio na subestação de Colinas, Norte do Tocantins, a 300 quilômetros de Palmas. A subestação é operada pela Eletronorte, mas o problema teria ocorrido em equipamentos de outra empresa, a Taesa. O ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, chegou a afirmar que o sistema está perdendo confiabilidade. Ele descartou, no entanto, a possibilidade de uma sabotagem e prometeu um pente-fino no sistema elétrico.
Segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, falta atenção do governo à transmissão e à distribuição de energia, depois que os problemas com a oferta de energia foram resolvidos. “A Aneel não está fiscalizando adequadamente a transmissão e a manutenção nas subestações. O próprio ONS reconheceu que não havia um determinado aparelho na linha que poderia ter evitado o curto", afirma Pires. O especialista aconselha que os próximos leilões de energia sejam regionais e por fontes, para que as linhas de transmissão sejam menores, o que facilitaria a fiscalização. “Há um parque eólico na Bahia pronto e não existe linha de transmissão. A usina de Jirau, em Porto Velho, está ficando pronta e também não há linha. São usinas muito distantes dos centros de consumo".


