Polícia traça perfil de diretor de jornal fuzilado com 44 tiros para chegar a assassinos
- jun 12, 2013
A delegada Tércia Amoedo, diretora do Departamento Geral de Polícia da Baixada, disse que a polícia irá traçar o perfil do empresário José Roberto Ornelas de Lemos, de 52 anos, para chegar aos principais interessados em sua morte.. “Vamos tentar apurar como tudo aconteceu e qual foi a motivação do crime. Temos informações que o jornal dele era combativo e fazia muitas denúncias", declarou.
José Roberto Ornelas de Lemos, o Betinho, que era diretor financeiro do jornal Hora H, de Nova Iguaçu, é filho de José Lemos, dono do jornal. Ele foi executado com 44 tiros no início da noite de ontem (11) em uma padaria no bairro Corumbá, naquele município, e levado por amigos para o Hospital Municipal da Posse. O caso foi registrado na 58ª DP (Comendador Soares), que está investigando o crime. José Roberto tinha um filho de 12 anos e uma enteada de 14. Seu coro será velado no Clube IBC, no centro do município. O enterro será às 16h45m no Cemitério de Paracambi.
Betinho chegou a ser preso em 2003 sob acusação de chefiar o grupo de extermínio que executou, um ano antes, Kenedi Jaime de Souza, de 52 anos, então subsecretário de Governo e presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura de São João de Meriti. Segundo a polícia, a execução de Kennedy estaria ligada à perda de uma concorrência pública na área de limpeza do município, no valor de R$ 5,8 milhões. O crime ocorreu a poucos metros da Prefeitura de São João de Meriti. Ao ser preso, José Roberto negou a participação no crime e ganhou, na Justiça, o direito a liberdade.
Segundo familiares da vítima, que na manhã desta quarta-feira (12) liberavam seu corpo no Instituto Médico-Legal de Nova Iguaçu, José Roberto já havia sofrido outro atentado em 2005. Disseram que o empresário saía da padaria na Avenida Fuscão - a mesma em que foi morto -, no bairro Corumbá, quando foi perseguido. No bairro Botafogo, os bandidos atiraram nove vezes contra o Audi blindado que ele tafegava, mas nenhum tiro atingiu o empresário.
- Meu irmão sempre sofreu ameaças por telefone. Às vezes carros estranhos rodavam pelos locais em que ele estava. Acreditamos que isso acontecia pelo fato de o jornal ser combativo, sempre criticando o mau policial e o mau político. E vamos continuar. O jornal é nosso alicerce, ele não acaba - disse Luciano Ornelas de Lemos, de 37 anos. De acordo com ele, por causa das ameaças, José Roberto passou a andar armado, cuja pistola era legalizada, e que praticava tiro esportivo. Quando foi morto, o diretor do Hora H estava com a arma, mas não teria tido tempo de reagir.


