Ao confirmar que o presidente da CNEM-Comissão Nacional de Energia Nuclear, Odair Dias Gonçalves, está demissionário mas vai permanecer no cargo até que a crise nuclear no Japão seja encerrada,, o ministro de Ciência e Tecnologia, o ex-senador Aloysio Mercadante, pode ter tranqüilizado o presidente da CNEN, mas acabou aumentando o índice de preocupação de cientistas e moradores de Angra dos Reis, depois que vazou a informação de que o presidente da CNEN seria demitido por manter em funcionamento a Usina Agra 2 sem ter conseguido a licença definitiva para funcionar.
Por falta dessa licença, o Ministério Público Federal convocou a CNEN para a assinatura de um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – pelo qual a instituição, que deve zelar pelas normas de segurança na utilização da energia nuclear no Brasil, reafirmaria a sua responsabilidade e o compromisso de zelar pelo funcionamento seguro e eficiente das Usinas Angra 1 e 2.
Às denúncias de que Angra 2 funciona sem licença definitiva do IBMA veio se somar à declaração do prefeito Tuca Jordão semana passada – perante Comissões da Assembléia Legislativa que investigam a segurança em Angra dos Reis em relação às duas usinas nucleares – afirmando que o município que ele administra não está preparado para uma tragédia envolvendo as duas usinas nucleares em operação, especialmente pela falta de infraestrutura para organizar uma possível a fuga da cidade, pelas péssimas condições da rodovia BR-101 e a falta de um centro de atendimento e orientação às possíveis vítimas.
O senador e ex-Reitor da Universidade de Brasília, o respeitado professor Cristóvam Buarque (PDT/DF), por exemplo, foi á tribuna cobrar da Casa a apuração da inexistência da licença definitiva para funcionamento de Angra 2, Sobre os rumores sobre a possível demissão do presidente da CNEN, o senador pedetista foi taxativo: “Estamos recebendo a notícia da provável demissão do encarregado da política nuclear brasileira na Cnen. A razão não está clara porque se diz que Angra 2 não tem autorização para funcionar. Não tem porque o presidente está sendo omisso, demorado ou porque está sendo cuidadoso?", questionou Cristóvam. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) confirmou que uma comitiva de 10 senadores, liderada por ele, visitará as usinas Angra 1 e 2 para se informar sobre essa grave denuncia.
O caso está a exigir uma intervenção direta da Presidente Dilma Rousseff diante das denuncias de instituições científicas do exterior e da própria Comissão Internacional de Energia Atômica, de que teria havido despreparo do governo japonês para enfrentar os estragos causados, simultaneamente, pelo terremoto e pela tsunami que se seguiu. O desaparecimento estratégico do Primeiro Ministro japonês da Mídia reforça as suspeitas de que o Governo não fiscalizava, com o rigor que o assunto exige, o funcionamento das usinas atômicas, fato muito comum no Brasil com relação as usinas hidroelétricas, responsáveis por seguidos apagões, provocados inclusive pela maior de todas, a de Itaipu.
Como ensina a sabedoria popular, gato escaldado até de água fria tem medo, seria oportuno que o Ministério de Ciência e Tecnologia esclarecesse as razões pelas quais Angra 2 funciona sem licença do IBAMA e a garantira de que o seu funcionamento, até onde é possível prever, está cercado de todas as salva guardas necessárias para que as autoridades possam, em caso de necessidade, manter e até socorrer a população de Angra dos Reis.


