Sancionada no último dia 18 pelo então governador Sérgio Cabral, a Lei 6.717 vai ser questionada na justiça pela Confederação Nacional de Vigilantes. O diretor da entidade e presidente do Sindicato dos Vigilantes e Empregadores de Empresas de Segurança e Vigilância, Transportes de Valores, de Prevenção a Combate a Incêndio, de Curso de Formação e Similares ou Conexos de Duque de Caxias (SIVDC), Carlos Gil, em entrevista exclusiva ao Capital, confirmou a decisão anunciada pelo secretário geral da Confederação, Cláudio José Oliveira, que também preside o Sindicato da categoria em Niterói e parte do Leste Fluminense. A lei proíbe andar de boné, capuzes ou gorros em estabelecimentos comerciais, públicos ou aberto ao público no Estado do Rio. Um grande “bonezaço" está sendo convocado por jovens adeptos de bonés para o dia 18 de maio.
O questionamento da nova lei pela CNV tem por objetivo preservar a atividade dos vigilantes, a quem, em princípio caberia decidir quem deve ou não retirar os bonés ao ingressarem em agências bancárias, por exemplo. “Essa é uma lei absurda. Vamos orientar os vigilantes para não se envolverem com esse assunto e continuarem a exercer seu trabalho como vem fazendo regularmente", disse Carlos Gil, lembrando que a autora da lei - a deputada estadual Lucinha (PSDB) - afirmou que atendeu pedidos de comerciantes. “Os vigilantes tem atribuições definidas por normas federais e não devem envolver-se nessa polêmica. Os comerciantes é que devem arcar com as consequências da lei e contratar pessoas para esse fim", completou o Sindicalista, que esteve na redação do Capital acompanhado do vice presidente George Tavares Almeida. “Não assumiremos esse constrangimento aos usuários de bonés, de modo a preservar esses trabalhadores de possíveis ações na justiça por clientes", disse George, que é vigilante bancário.
Carlos Gil explicou que a categoria não foi consultada sobre o assunto em nenhum momento e acrescentou que há questões que merecem ser debatidas. “Os caixas automáticos, por exemplo, ficam sem segurança à noite, que é quando acontece a maioria dos assaltos. O mesmo acontece com os quiosques do Banco24h, grande parte deles instalados em áreas públicas e cuja segurança é atribuição do Estado. Os clientes ficam abandonados à própria sorte quando utilizam esses estabelecimentos fora do horário comercial".


