Depois da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e da Casa França-Brasil, que passaram a ser geridas por uma Organização Social (OS) em julho, chegou a vez da Escola de Música Villa-Lobos ter sua gestão repassada a uma entidade privada, por decisão do governo estadual. A mudança acarretará um grande impacto no bolso dos alunos, segundo o ex-diretor José Maria Braga, exonerado do cargo por discordar da decisão. Os valores dos cursos básicos, únicos que são pagos, segundo ele, deverão pular dos atuais R$ 620 para R$ 1.500. O edital para a escolha de uma OS para gerir a instituição será aberto em breve pela Secretaria Estadual de Cultura. A OS que a assumir será beneficiada com um repasse de R$ 5 milhões do Estado.
A Escola de Música Villa-Lobos, localizada Rua Ramalho Ortigão nº 9, no Rio de Janeiro, foi fundada em 1952. Hoje ela está presente em quatro municípios do Estado do Rio de Janeiro promovendo festivais, palestras, workshops, concertos de diversos gêneros musicais, produzindo CDs, periódicos, partituras, livros didáticos, enfim, atividades que colocam a EMVL/FUNARJ no posto de uma das mais importantes instituições de ensino e fomento à prática musical do Brasil.
- A escola passou toda minha gestão - 15 anos sem receber recursos da Funarj e da Secretaria de Cultura, só para coisas pontuais. Todo o dinheiro vinha da AmaVilla [Associação de Músicos, Docentes e Amigos da Escola de Música Villa-Lobos], que administra os cursos pagos - afirmou José Maria, acrescentando que há 35 anos não é realizado concurso para professores da escola. Segundo ele, foi anunciado que o Estado vai repassar R$ 5 milhões para a entidade privada que a assumir. “Por que não pega esse dinheiro e coloca numa rubrica como dotação orçamentária para a escola, porque tem que dar para uma entidade privada. Que interesses vamos atender? Não são os da escola", assinalou.


