A Força Sindical e a Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) criticaram o aumento da taxa Selic em 0,5 ponto percentual, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Para o presidente da Força, Miguel Torres, o aumento tem efeito perverso sobre os trabalhadores e significa um bloqueio no crescimento econômico do Brasil. “Avaliamos que o 'custo social e econômico' do uso da Selic no controle da inflação tem se revelado ineficiente e com um custo social muito alto para o país", afirmou.
“Infelizmente, os dados da economia são pouco animadores. E a postura conservadora, por parte do governo, vem minando qualquer esperança de sua recuperação ainda para este ano", acrescentou Torres. A Contraf-CUT acredita que o aumento vai aprofundar a crise atual. “Mais um aumento na taxa Selic. Mais recursos da sociedade serão transferidos para os rentistas, principalmente os bancos. Mais crédito será negado à sociedade e mais recursos serão desviados para títulos e valores mobiliários", disse o presidente da entidade, Roberto von der Osten.
Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o aumento da Selic “de um lado encarece o crédito e, consequentemente, enfraquece ainda mais a demanda de consumidores e empresas, dificultando assim novas elevações de preços. De outro, ele tem um papel importante no controle das expectativas inflacionárias".
Levy aguardará publicação de ata para comentar elevação
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta quinta-feira (30) que vai aguardar a publicação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) para comentar o reajuste da taxa básica de juros, a Selic. Levy falou com jornalistas momentos antes de se reunir, no Ministério da Fazenda, com os governadores do Rio, Luiz Fernando Pezão, e de Minas Gerais, Fernando Pimentel.
Levy acrescentou que, depois da publicação da ata, terá elementos para fazer análise mais completa sobre a decisão do Copom. Ontem (29), após reajustar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano, o Copom – em comunicado – indicou que os juros básicos devem ficar inalterados daqui para a frente. "O comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016", destacou o texto.
A medida do Copom foi adotada por unanimidade. Na reunião anterior, no início de junho, a taxa também tinha sido reajustada em 0,5 ponto. Com o reajuste, a Selic retorna ao nível de outubro de 2006, quando também estava em 14,25% ao ano. A taxa é o principal instrumento do BC para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). (Agência Brasil)


