O pedido de cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) por quebra de decoro parlamentar, será apresentado pela Rede ao Conselho de Ética do Senado nesta terça-feira (1º). Segundo o líder do partido na Casa, senador Randolfe Rodrigues (AP), a Executiva Nacional da legenda autorizou na quinta-feira (26) que a peça fosse preparada para ser protocolada na semana que vem. “É um tipo de situação que não cabe meio termo, não cabe mediação", disse o senador, que considerou o momento “lamentável". “Todos nós temos apreço pelo senador Delcídio, é lamentável", disse. Segundo o senador, outros partidos de oposição podem acompanhar a representação, conforme expressado por líderes.
Delcídio do Amaral foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal na manhã da última quarta-feira (25), em Brasília, acusado de tentar corromper o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, para evitar que ele fizesse acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava Jato. O senador ofereceu R$ 50 mil mensais para a família de Cerveró e um plano de fuga para que ele deixasse o país pelo Paraguai em direção à Espanha. No dia seguinte, o Senado, em votação por 59 a 13, manteve a prisão de Delcídio. Também foi preso no mesmo dia o diretor-executivo do Banco BTG Pactual, André Esteves, em mais uma fase da Operação Lava Jato.
O filho do ex-diretor da Petrobras, Bernardo Cerveró, gravou conversa em que Delcídio e o advogado Edson Ribeiro faziam a oferta. Edson Ribeiro também foi preso, na sexta-feira (26), quando desembarcava no Aeroporto Internacional Tom Jobim, procedente de Miami. No diálogo, o senador garantia a Bernardo que conseguiria um habbeas corpus para o pai dele e citou o nome de ministros do Supremo que votariam a favor da liberação do ex-diretor. A segunda turma do Supremo Tribunal Federal votou por unanimidade pela prisão do senador em flagrante por tentar obstruir o processo de investigação.
Os ministros também determinaram a prisão do chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreria, e do presidente do banco BTG Pactual, André Esteves. O banqueiro também tinha interesse que a delação premiada de Cerveró não fosse concretizada e seria o responsável por fazer os pagamentos mensais à família do ex-diretor. (Agência Brasil)
Banqueiro é transferido para o Complexo de Gericinó, em Bangu 8
O diretor-executivo do banco BTG Pactual, André Esteves, está no Complexo de Gericinó, em Bangu, desde a madrugada de sexta-feira (27). Ele chegou a ser levado ao Presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte do Rio, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, mas ficou lá por pouco tempo. Como o banqueiro possui nível superior e o Ary Franco não possui cela com esta finalidade, ele foi levado, em seguida, para Bangu. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, tem 138 presos e capacidade para 154. André Esteves está em uma cela individual, conforme o previsto na Lei de Execuções Penais (LEP). (ABr).
Segundo o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, André Esteves não participou de reuniões para evitar que Cerveró firmasse um acordo de delação premiada com o MPF. (ABr)
Romário pede investigação de suposta conta que teria na Suíça
Na última sexta-feira, o senador Romário (PSB-RJ) afirmou em seu perfil oficial no Facebook que protocolou junto à Procuradoria Geral da República um pedido de investigação sobre a existência de uma suposta conta bancária na Suíça, atribuída a ele. Em um áudio que revelou uma conversa entre o senador Delcídio do Amaral e o advogado Edson Ribeiro, divulgada no dia da prisão do senador e do banqueiro André Esteves, é dito que Romário teria dinheiro em uma conta na Suíça. No entanto, o senador foi avisado para retirar o dinheiro e evitar de ser “ser preso". Na mesma gravação, os dois, afirmam que em troca, Romário, de acordo com o advogado, teria aceitado apoiar Pedro Paulo Carvalho, pré-candidato a prefeitura do Rio de Janeiro, e apoiado pelo atual prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ). Ainda segundo a nota, Romário não teria ligação com um possível acordo entre ele e Paes.
- Tomei a iniciativa de pedir ao Ministério Público do Brasil que provoque o Ministério Público suíço para instaurar uma investigação a fim de apurar se a suposta conta bancária apontada pela revista Veja, como sendo de minha titularidade do BSI, realmente existe e, ainda, se algum dia existiu, assim como se já houve qualquer movimentação na malsinada conta bancária. Sou o maior interessado que a verdade venha à tona", afirmou o senador na postagem.


