Veículos incendiados, dezenas de presos,
moradores e policiais feridos
Uma guerra entre facções de traficantes na Cidade Alta, em Cordovil, zona norte da capital fluminense, nesta terça-feira (2), terminou com pelo menos oito ônibus e um caminhão queimados, 40 pessoas presas e seis feridas, entre as quais três policiais, que estão fora de perigo. Ao todo, 32 fuzis, granadas e pistolas foram apreendidas. Mais de 3 mil crianças ficaram sem aula na região, segundo as secretarias estadual e municipal de Educação. Os veículos foram incendiados na Avenida Brasil, na rua Bulhões Marcial e na rodovia BR 040 (Rio-Petrópolis), em Duque de Caxias.
O major Ivan Blaz, coordenador de Comunicação da Polícia Militar, informou que, por volta das 3h da madrugada, moradores de Cordovil acionaram a corporação por telefone informando que uma facção rival da que ocupa a comunidade de Cidade Alta tentava assumir o controle territorial da área. "Fizemos um cerco e, uma vez cercados, os criminosos invasores acionaram moradores de comunidades que sofrem influência desta facção para promover distúrbios e caos urbano na cidade com a finalidade de dispersar o policiamento no cerco e promover oportunidade de fuga", disse Blaz.
Ainda segundo o major, o número de presos e de armas apreendidas prova que a ação policial teve êxito. No entanto, Blaz ressaltou que os números mostram uma realidade cruel no estado. "Somos um dos principais destinos do tráfico internacional de armas, o que expõe a fragilidade de nossas fronteiras", disse o major. "Isso força a Polícia Militar daqui a enfrentar um mal que polícia nenhuma enfrenta no mundo. Aqui, o policial já está acostumado a ouvir rajadas de fuzil". (Agência Brasil)
FOTO: Reuters/Ricardo Moraes
Violência exige mudança
na segurança pública
A onda de violência que registrou somente nesta terça-feira (2), oito ônibus e dois caminhões incendiados na zona norte do Rio de Janeiro e em Duque de Caxias, é resultado do processo de aumento de indicadores de criminalidade que o estado vem vivendo desde o ano passado, combinado com ausência de respostas por parte do setor de segurança pública. A avaliação foi feita à Agência Brasil pela coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, Silvia Ramos.
Segundo a coordenadora do Cesec, “os criminosos percebem que tem um vácuo na segurança, seja no projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) diretamente nas favelas, seja praticando assaltos e roubos em ruas e vias da cidade e eles ganham território". Silvia Ramos argumentou que na medida em que o setor de segurança responde localmente, trocando tiros com os criminosos, e não com políticas de planejamento e de inteligência, desarticulando quadrilhas, “esse resultado é uma espécie de equação matemática".
Se há retomada das ruas por criminosos e ausência de políticas de segurança, o resultado pode ser o que a população do Rio de Janeiro viu nesta terça-feira, reforçou. No episódio de hoje, Silvia indicou que houve um confronto local com a polícia e os bandidos responderam com mais agressividade. “Mas o quadro é o mesmo que nós estamos tendo há algum tempo". É preciso, reiterou, que o setor de segurança responda à violência com políticas de inteligência e com planejamento “e não só resolvendo um incêndio a cada dia". (ABr)


