Em apenas seis meses de Governo, a Presidente Dilma Rousseff já perdeu dois ministros importantes: o Chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, do PT, e dos Transpores, Alfredo Nascimento, presidente, do Partido da República, o antigo PL, cujo secretário geral é o deputado Waldermar da Costa Neto, que renunciara ao mandato para não ser cassado por conta do “mensalão", mas eleito em 2010 na cauda do “cometa" Tiririca. Nos dois casos, os ministros foram acusados de malfeitoria e há suspeitas de que o “fogo amigo" do PT alimentou a oposição com fatos e boatos.
Hoje, a presidente tem dificuldades em nomear um substituto para o presidente do PR, pois o partido, que há 7 anos controla o Ministério dos Transportes e este ano tem um orçamento de R$ 37 bilhões, não abre mão de indicar os nomes que ocuparão os cargos de controle do Ministério, em especial o Dnit, sucedâneo do DNER e responsável pela construção e manutenção das rodovias federais.
Como é uma inexplicável praxe no Governo promover a licitação das obras de infraestrutura sem o devido projeto executivo, abrem-se espaços para os termos aditivos, como uma ponte sobre um riacho que não constava do projeto licitado, ou a necessidade de movimentação de terra num trecho alagadiço, cujo volume só será conhecido depois de realizada a obra, o que torna difícil, senão impossível, ao TCU avaliar se a obra realizada era a obra projetada, ou se houve acréscimo de alguns metros cúbicos de aterro e escavação.
O problema no Brasil é que os partidos não tem estrutura democrática, o que permite a um cidadão, sem voto e sem manado,como, assumir o comando de um partido como o PV, enquanto a candidata à presidência da república e ex-senadora Maria Silva, apesar dos quase 20 milhões de votos recebidos, era publicamente desconsiderada e até hostilizada por continuar defendendo as suas convicções.
Assim, ao contrário do que ocorre em outros países, o partido que integra a coalizão não tem um programa de políticas publicas, que venha somar ao projeto inicial do candidato eleito. A falência dos nossos partidos ficou explicitada no Governo Lula, quando o Ministro Reinholds Stephanes, do PMDB, questionava publicamente a ação do Ibama contra o desmatamento praticado por fazendeiros e a atuação da Ministra Marina Silva, do PT, no comando do Ministério do Meio Ambiente, num tom que seria perfeitamente natural num regime parlamentarista em que um dos ministros fizesse parte do Gabinete, enquanto o outro, no parlamento, integrasse do Gabinete paralelo, da oposição, uma forma de mostrar ao eleitor o que um e outro partido pretendia fazer em matéria de agricultura e meio ambiente, por exemplo.
Num regime presidencialista, em que o chefe do governo é o Presidente da República, a ele incumbe indicar as diretrizes dos programas a serem realizados pelos ministros, nunca como aqui ocorre, principalmente nas áreas do Ministério da Fazenda e do Banco Central, em que o titular de cada órgão do governo tem uma posição sobre qualquer assunto, posições colocadas em público sem o prévio conhecimento do Presidente da República, como no caso da taxa selic ou do câmbio.
Pelo visto, o baixo clero dos diversos partidos da base governista é que mandam no Governo, que, docemente constrangido, continua a ceder parcelas consideráveis de seu poder, como no caso da liberação de verbas parlamentares contingenciadas em 2009, muitas delas subscritas por parlamentares que não foram reeleitos em 2010.


