Beija-Flor e Paraíso do Tuiuti foram as campeãs. Grande Rio e Império Serrano são rebaixadas
A escola de samba campeã do carnaval de 2018 no Rio de Janeiro, por uma diferença de um décimo da Paraíso da Tuiuti, foi a Beija-Flor de Nilópolis. A escola apresentou o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley, que completou 200 anos. Na obra, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. No desfile, a figura foi usada para críticas a problemas sociais como corrupção e desigualdades.
O Salgueiro ficou com a terceira posição, seguido por Portela, Mangueira e Mocidade, que voltarão ao Sambódromo neste sábado (17), a partir das 21h15, para o Desfile das Campeãs. As escolas de samba foram avaliadas em nove quesitos: alegorias e adereços, bateria, fantasia, samba-enredo, comissão de frente, evolução, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e enredo.
Este foi o 14º título da Beija-Flor. A Azul e Branca da Baixada, com componentes vestidos de pastores evangélicos, católicos e muçulmanos contra a intolerância religiosa, conquistou o público enaltecendo o combate à corrupção, a violência, a desigualdade social, o racismo e a intolerância de gênero e religião. A Beija-Flor montou um palco e um telão para que a comunidade pudesse acompanhar a apuração e, após o resultado, uma grande festa com milhares de pessoas tomou conta do local, com distribuição de cerveja de graça pela agremiação e muito samba. O troféu chegou às 19h15 e a comemoração continuou noite adentro. "Quero agradecer a todos os componentes. Tivemos muitas dificuldades e conseguimos fazer um belo Carnaval. Fizemos um desfile com dignidade e garra e conseguimos aquilo que nos propusemos a fazer", disse Laíla, da Comissão de Carnaval da escola, logo que chegou ao palco.
VICE-CAMPEÃ - A Paraíso do Tuiuti foi recebido na quadra em São Cristóvão aos gritos de 'É campeã!' pelos torcedores. Sobrou ousadia para colocar na Sapucaí um ator fantasiado de vampiro em alusão ao presidente Michel Temer. O enredo 'Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?', do carnavalesco Jack Vasconcelos, comparou a Reforma Trabalhista a um retrocesso como o trabalho escravo.
Operários usando a carteira de trabalho como escudo contra os ataques às leis trabalhistas reforçaram a mensagem. Manifestantes batedores de panela montados nos patos da Fiesp, manipulados como marionetes, serviram de crítica aos movimentos pró-Impeachment de 2016. Surgiam os famosos “coxinhas". Colarinhos brancos, moedas de ouro e mãos acorrentadas retrataram a desigualdade social e a corrupção. Para o professor de direito da UERJ, Ricardo Lodi, a Paraíso da Tuiuti mostrou “como se coloca o dedo na ferida de verdade, revelando a escravidão como a principal causa dos nossos problemas, na linha destacada por Jessé Souza, e dos traços escravocratas que até hoje definem a sociedade brasileira".
Quebra de carro leva Grande Rio ao rebaixamento
As escolas Império Serrano e Grande Rio foram rebaixadas para a Série A do carnaval do Rio depois de ficarem em 13º e 12º respectivamente, na apuração das notas do Grupo Especial. As duas escolas já começaram a apuração com menos pontos, penalizadas por estourarem o tempo do desfile. O Império perdeu 0,2 pontos e a Grande Rio 0,5 pontos.
A Grande Rio, que defendeu enredo sobre Chacrinha, foi prejudicada porque o último carro quebrou na concentração, a 500 metros da entrada da Marques de Sapucaí. Já o Império Serrano apresentou enredo sobre a China. A escola tinha acabado de voltar para o Grupo Especial após 7 anos.
A CLASSIFICAÇÃO DAS ESCOLAS
COLOCAÇÃO ESCOLA PUNIÇÃO TOTAL
1º BEIJA-FLOR - 269.6
2º TUIUTI - 269.5
3º SALGUEIRO - 269.5
4º PORTELA - 269.4
5º MANGUEIRA - 269.3
6º MOCIDADE - 269.3
7º UNIDOS DA TIJUCA - 269.1
8º IMPERATRIZ - 268.8
9º VILA ISABEL - 268.1
10º UNIÃO DA ILHA - 267.3
11º SÃO CLEMENTE - 266.9
12º GRANDE RIO 0.5 266.8
13º IMPÉRIO 0.2 265.6
Pezão admite que faltou preparação para lidar com a segurança no carnaval
O governador Luiz Fernando Pezão (MDB), admitiu quarta-feira (14) que faltou preparação do estado para lidar com segurança durante os quatro dias de carnaval. Segundo ele, as falhas iniciais foram corrigidas e o policiamento foi reforçado na segunda-feira (12) e na terça-feira (13). As declarações foram dadas durante entrevista a um programa jornalístico de uma grande rede de televisão.
- Não estávamos preparados. Houve uma falha nos dois primeiros dias e depois a gente reforçou aquele policiamento. Eu acho que houve um erro nosso. Nós não dimensionamos, mas acho que é sempre um aprimoramento. A gente tem sempre que aprimorar. Estamos olhando a segurança pública de Cabo Frio a Paraty. São 6,5 milhões de pessoas nas ruas. E com territórios ainda conflagrados. Boa parte do efetivo da Polícia Militar, na Rocinha, onde estamos atuando permanentemente, e também na Praça Seca, onde há uma guerra pelo domínio do tráfico – disse.
Casos de agressões seguidas de assaltos, além de furtos e arrastões, foram motivos de muitas queixas durante o carnaval. Além disso, na comunidade Bateau Mouche, na Praça Seca, em Jacarepaguá, o confronto entre milicianos e traficantes gerou novos episódios de tiroteio. O governador e o prefeito se encontravam fora na cidade no período do carnaval. Pezão foi para sua casa no município de Piraí, e Marcelo Crivella viajou para a Europa.
A deputada Martha Rocha (PDT), que preside a Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), informou que autoridades do estado serão convocadas para prestar esclarecimentos. A Polícia Militar disse em nota, que diante dos casos de violência nos primeiros dias, o patrulhamento na região da orla foi reforçado, inclusive com monitoramento aéreo.
A segurança pública do Rio de Janeiro vive um momento de crise. Na semana passada, a morte de uma menina de 3 anos durante um assalto e de um adolescente 13 anos, baleado em meio a um confronto entre policiais e criminosos, que levou ao fechamento de três vias importantes da cidade, gerou declarações públicas tanto de Pezão como do prefeito Marcelo Crivella. Dados do ISP divulgados no mês passado mostram que o número de mortes violentas no Rio de Janeiro em 2017 foi 7,5% superior a 2016. Criada em 2008 como um dos principais instrumentos de segurança pública do estado, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) já são vistas com reservas. No início do mês, o comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Wolney Dias, disse que a corporação estuda reduzir de 38 para 20 o número de UPPs.
Outra preocupação é com o armamento em poder de bandidos. No mês passado, a Polícia Rodoviária Federal prendeu em flagrante um homem que transportava 19 fuzis e outras armas. Dados do ISP já haviam mostrado que, em 2017, as apreensões de fuzis que estavam em poder do crime organizado vinham sendo 75% superior a 2016. (Agência Brasil)


