Washington Reis tenta inaugurar cemitério construído em área de proteção ambiental
Depois de divulgar notícia “fake", sobre acúmulo de cadáveres em hospital, prefeitura de Duque de Caxias deixa de tomar as providências para a liberação dos sepultamentos dos falecidos no Hospital Municipal Dr. Moacyr do Carmo.
Para o diretor da empresa AG-R, concessionária que administra os cemitérios de Duque de Caxias, Frederico Ribeiro, “as fotos tiradas hoje (30/04) no morgue do referido nosocômio demonstram assustadora incompetência e/ou má fé criminosa", pois segundo ele nos informou, a empresa que faria a retirada dos corpos, até o momento de nosso contato, “não recebeu nenhuma solicitação, nem foi procurada por parentes dos falecido, fato que pode indicar que nem os familiares estão sendo avisados".
Vale lembrar que o mandatário da cidade pediu ao Ministério Público a liberação da utilização do cemitério público, com funcionamento barrado pela justiça, alegando suposta incapacidade da concessionária que administra os cemitérios do município e, como a empresa “comprovou não ter problema em prestar os serviços que lhe competem, as investidas de Reis devem continuar", esclareceu.
Outra ação da prefeitura nessa data foi a tentativa de retirar o container frigorífico que a AG-R mantém, desde o dia 13 último, no cemitério Tanque do Anil, para que sejam guardados os corpos suspeitos ou confirmados com Covid-19, o novo coronavírus. Para Ribeiro, “o prefeito não está preocupado com a população, pois foi o último prefeito a tomar providências em favor do isolamento social, não teve nenhuma iniciativa para determinar ações no tocante às vítimas do Covid-19 e tenta atrapalhar quem está trabalhando e fazendo a diferença", e esclarece, “não fez nada para ajudar e está tentando retirar o container frigorífico que colocarmos, com recursos próprios, para proteção dos funcionários e da população".
Para Ribeiro o prefeito está tentando promover o caos para criar um fato – Já divulgou “fake", já fez vídeo e acionou toda a imprensa, mas produzir em prol da população em um momento tão difícil, nada – desabafou.
A insistência de Washington Reis, em inaugurar o cemitérios, já lhe rendeu um apelido nas redes sociais, várias postagem o chamam de Odorico Paraguaçú [quem já assistiu novela lembra do personagem que lutava para inaugurar o cemitério na fictícia cidade de Sucupira],
Recorrente
Washington Reis foi denunciado novamente por crime ambiental ao construir o novo cemitério, segundo a denúncia, em área de preservação. Laudo (documento nº ICCE-RJ-SPESP-025487/2017) feito a pedido da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), revelou que o cemitério público está sobre cerca de 23.500m² de área de preservação permanente (APP), por “ser caracterizada como manguezal e/ou por encontrar-se na Faixa Marginal de Curso D’Água".
O Perito Criminal André Bello Bordeaux Rego Machado, em novembro de 2017, esteve no terreno, realizando exame pericial para análise da flora na região e concluiu que a área foi “aterrada por material típico de resíduo de construção civil". Ao norte, encontrou “solo naturalmente encharcado, lodoso, com presença de vegetação típica de manguezal", além de tocas no solo, típicas das produzidas por caranguejo uça, “sendo assim possível caracterizar a área como manguezal".
A prefeitura já foi condenada em vários processos e recursos, movidos por ela contra a concessionário e/ou ações movidas pela concessionária contra a prefeitura e a pessoa do prefeito.


