O governo brasileiro anunciou oficialmente segunda-feira (29) que vai aumentar o superávit primário em 0,2 ou 0,3 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (conjunto de bens e serviços produzidos no país) previsto para este ano. Com isso, a meta de economia para pagar juros chega a 3,2% ou 3,3% do PIB, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Isso deve implicar um esforço extra de R$ 10 bilhões em economia para pagar juros, passando de R$ 81,8 bilhões para cerca de R$ 91 bilhões este ano. De acordo com o ministro, o governo vai enviar um projeto de lei para ser votado no Congresso que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2011 e impõe a nova meta de superávit anunciada: R$ 127,9 bilhões. O anúncio foi feito em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, após a reunião do Conselho Político, realizada no Palácio do Planalto. No encontro, as mudanças foram apresentados aos líderes de partidos da base aliada do governo no Congresso Nacional. Mantega destacou que o ajuste não se dará à custa de cortes adicionais.
A meta anterior era economizar R$ 117,9 bilhões. “Estamos nos precavendo quanto ao possível agravamento desse cenário [de crise] para impedir que o Brasil tenha o mesmo destino dos países afetados", justificou Mantega ao anunciar a nova meta de economia. “Não tem nada a ver com o Copom. Queremos que o Brasil continue na sua trajetória de desenvolvimento com o mínimo de desgaste em função da crise internacional" disse o ministro, para deixar claro que o Banco Central (BC) mantém sua independência para decidir sobre os juros. Mas objetivo do governo é aumentar o esforço fiscal e, assim, abrir espaço para que o BC reduzir a taxa Selic. A decisão de aumentar o superávit foi tomada às vésperas da reunião do do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nesta terça e quarta-feira (30 e 31), para decidir sobre os juros.
A elevação da meta de superávit é possível graças ao desempenho recorde da arrecadação de tributos federais até julho. Nos sete primeiros meses do ano, o governo atingiu 78% da meta de R$ 117,9 bilhões para o ano todo. Em julho foram economizados R$ 13,8 bilhões, maior resultado para o mês desde 2001, quando começou a série histórica.Segundo Paulinho, a economia extra do governo federal em 2011 será de cerca de R$ 14 bilhões.


