De repente, Governo e Mídia criam uma nova classe na pirâmide social do Brasil, a nova Classe Média, formada por camadas da população que, graças à concorrência dos produtos importados, dos ganhos de renda e à redução do desemprego, ingressaram no chamado mercado de consumo. Para entender a Nova Classe Média, as empresas precisam se preparar melhor para atender às necessidades e aos desejos desses novos consumidores, que detém a maior parte do poder de compra no país. Segundo estudo divulgado pelo Data Popular, 53,9% da população brasileira está na chamada classe C, com renda per capita mensal entre R$ 324 e R$ 1,4 mil. Por isso, a classe C será responsável por 44,3% dos gastos das famílias este ano, com um poder de compra de R$ 2,3 trilhões.
- É uma massa enorme de consumidores que vêm de um passado de pobreza e que, agora, estão conseguindo consumir e já se tornaram maioria em vários segmentos - disse o pesquisador do Instituto Data Popular João Paulo de Resende. “As empresas têm que entender que agora elas estão lidando com um público que não é o mesmo que sustentava o negócio delas há dez anos". Em 2001, a classe C representava apenas 38,6% da população e 25,8% do consumo.
Para atender a essa demanda, o pesquisador sugere que as empresas não busquem apenas novos produtos e serviços para oferecer a esse novo público, mas que mudem, também, a forma de atendimento. “Para alguns mercados é muito importante ter uma clareza, uma simplicidade maior do que se tinha antes para se relacionar com esse cliente". Resende lembra que muitas dessas pessoas têm origem humilde e nunca viajaram de avião, por exemplo. Além disso, a classe C tem aspirações próprias e não busca simplesmente repetir o padrão de compra das classes mais altas. “As empresas precisam entender isso para conseguir criar estratégias eficientes para atrair esse público", assinala o pesquisador.
O problema é que há um descompasso entre o que pensam esses novos consumidores e as estratégias das empresas, que se revela nos dados da pesquisa do Data Popular. De acordo com o levantamento, 26% das empresas acreditam que o preço é o fator mais importante na escolha de um produto, um pensamento compartilhado por apenas 17% dos consumidores populares. No entanto, enquanto 44% dos entrevistados desse grupo de consumo disseram dar mais importância à qualidade do que ao preço, só 18% das empresas defenderam esse ponto de vista.
O pesquisador destacou que o consumo da classe média ascendente deverá se expandir para serviços como alimentação fora de casa, lazer e viagens. De acordo com Resende, com a melhoria de vida, as famílias primeiro buscaram comprar itens básicos que não tinham, como eletrodomésticos. Agora, além de buscar outros bens e serviços, também querem melhorar a qualidade dos itens que já consomem, "Elas não vão passar a comer mais, mas comer melhor", explicou o pesquisador.
É, parece que, finalmente, a Classe Média chegou ao paraíso do consumo, principalmente em itens antes distante das mãos e dos bolsos desse grupo de consumidores, como o automóvel, a motocicleta, o fim de semana numa pousada e até uma viagem ao exterior, mesmo que em ônibus leito. Resta saber até quando essa nova Classe Média vai ser abrigada nesse paraíso diante da debacle de Países chamados de Primeiro Mundo, como Itália, França, Grécia, Irlanda e, principalmente, os EUA, cuja economia continua patinando com sua dívida trilhionária, enquanto os Republicanos fazem o possível e o impossível para travar os projetos sociais de Barack Obama.


