Déficit do setor público salta para R$ 56 bilhões em maio e dívida bruta chega a 81% do PIB
- jul 01, 2026
Rombo fiscal consolidado cresceu em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pelo Governo Central e pelo aumento dos gastos com juros nominais, aponta Banco Central
O setor público consolidado — que engloba a União, os estados, os municípios e as empresas estatais — registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026. O resultado aponta uma deterioração das contas públicas em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o rombo havia sido de R$ 33,7 bilhões.
Os dados foram extraídos do relatório Estatísticas Fiscais, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Banco Central (BC). Com o desempenho de maio, o déficit primário acumulado em 12 meses atingiu R$ 149 bilhões, o equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB). O índice representa uma alta de 0,16 ponto percentual (p.p.) na comparação com o estoque acumulado até abril.
Radiografia das contas públicas
A abertura dos dados fiscais de maio revela que o principal vetor do resultado negativo foi o Governo Central (composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social), que anotou um déficit de R$ 55,2 bilhões.
Os governos regionais (estados e municípios) também fecharam o mês no vermelho, com um saldo negativo de R$ 1,2 bilhão. Por outro lado, as empresas estatais atuaram como um leve amortecedor, registrando um superávit de R$ 0,3 bilhão no período.
Peso dos juros eleva o déficit nominal
Além do descompasso primário entre receitas e despesas, o peso do endividamento pressionou o resultado nominal. Os gastos com juros nominais totalizaram R$ 107,5 bilhões em maio, superando os R$ 92,1 bilhões registrados em maio de 2025.
De acordo com o Banco Central, o avanço reflete diretamente o crescimento do estoque da dívida líquida. No acumulado de 12 meses até maio, a conta de juros nominais alcançou a marca de R$ 1.111 bilhões (8,48% do PIB), frente aos R$ 946,1 bilhões (7,74% do PIB) medidos no mesmo intervalo encerrado em maio de 2025.
“Contribuiu para essa evolução o aumento no estoque do endividamento líquido no período. No acumulado em 12 meses até maio, os juros nominais alcançaram R$ 1.111 bilhões (8,48% do PIB), comparativamente a R$ 946,1 bilhões (7,74% do PIB) nos 12 meses até maio de 2025”, informou o BC.
Ao somar o resultado primário e os juros nominais apropriados, o déficit nominal do setor público consolidado fechou o mês de maio em R$ 163,7 bilhões. No balanço de 12 meses, o rombo nominal acumulado somou R$ 1.260 bilhões (9,62% do PIB), mantendo um patamar estável em relação ao PIB quando comparado ao mês anterior.
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Trajetória de alta na dívida pública
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) avançou para R$ 8,9 trilhões em maio, atingindo o patamar de 67,9% do PIB — um salto de 0,7 p.p. do PIB no mês. O Banco Central justifica no relatório que o indicador foi impulsionado, principalmente, pelos juros nominais apropriados (0,8 p.p.) e pelo déficit primário (0,4 p.p.), sendo parcialmente atenuado pela desvalorização cambial de 1,4% no mês (-0,1 p.p.) e pelo crescimento do PIB nominal (-0,4 p.p.).
No acumulado de 2026, a dívida líquida cresceu 2,7 p.p. do PIB. Os fatores de maior impacto no ano foram os juros nominais (3,5 p.p.), a desvalorização cambial acumulada de 8,1% (0,9 p.p.) e o déficit primário (0,2 p.p.), contrabalançados pelo avanço do PIB nominal (-1,8 p.p.).
Já a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) — indicador que serve de principal referência para agências de classificação de risco — fechou maio em R$ 10,6 trilhões, o equivalente a 81,1% do PIB. O dado representa um acréscimo de 0,9 p.p. do PIB em relação a abril. O BC atribui essa elevação aos juros nominais apropriados (0,9 p.p.), às emissões líquidas de dívida (0,4 p.p.) e à variação cambial (0,1 p.p.), com efeito redutor apenas da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.).



