Dólar engata terceira queda consecutiva e fecha a R$ 5,10, menor valor em três semanas, impulsionado por alívio no IPCA e cenário externo.
Beneficiado pelo cenário internacional e pela inflação abaixo do esperado no Brasil, o mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira (10) em forte tom positivo. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores nacional, avançou quase 3% e atingiu seu patamar mais elevado desde maio. No mercado cambial, o dólar registrou sua terceira sessão seguida de perdas e voltou a fechar na casa dos R$ 5,10.
O grande catalisador para o desempenho dos ativos domésticos foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. O indicador veio abaixo das projeções do mercado e fortaleceu as perspectivas de que o Banco Central promova novos cortes na taxa Selic, os juros básicos da economia. Paralelamente, no front externo, os investidores seguiram atentos aos desdobramentos dos conflitos geopolíticos entre os Estados Unidos e o Irã.
Ibovespa opera na máxima e acumula alta de 10% no ano
O Ibovespa encerrou o pregão com expressiva alta de 2,97%, aos 177.866,37 pontos, registrando o maior fechamento desde 14 de maio e finalizando as negociações na máxima do dia.
Com o resultado, o índice completou sua terceira semana consecutiva de valorização. O desempenho consolidou os seguintes ganhos acumulados:
- Na semana: +2,18%
- Em julho: +3,40%
- No ano (2026): +10,39%
O volume financeiro movimentado na sessão somou R$ 24,99 bilhões, refletindo o forte apetite por risco. O otimismo foi tão generalizado que, das 79 ações que compõem a carteira do índice, apenas uma fechou o dia em queda.
A arrancada foi impulsionada pela desaceleração da inflação oficial do país em junho, que ficou em 0,16% após registrar alta de 0,58% em maio. No acumulado de 12 meses, o IPCA se posicionou em 4,64%. Os números consolidaram a tese de que o Comitê de Política Economia (Copom) terá espaço para reduzir a Selic na reunião de agosto. Taxas de juros mais baixas tendem a impulsionar o mercado acionário porque aliviam o custo de financiamento das companhias e elevam o valor presente de seus lucros projetados.
Dólar recua e atinge menor patamar em três semanas
O dólar à vista registrou queda de R$ 0,014 (-0,31%), encerrando o dia cotado a R$ 5,108 — o menor valor de fechamento desde 16 de junho. Na mínima da sessão, por volta das 13h30, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 5,098.
Esta foi a terceira desvalorização diária consecutiva da divisa estrangeira, que agora acumula:
- Recuo de 1,18% na semana;
- Perda de 1,06% em julho;
- Queda de 6,94% no acumulado do ano de 2026.
Além da forte reação interna aos dados do IPCA, a moeda brasileira acompanhou o movimento global de fortalecimento das divisas de países emergentes. O movimento ocorreu em meio a uma maior disposição de investidores globais por ativos de risco, mitigando os temores relacionados às tensões no Oriente Médio.
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Petróleo fecha em queda, mas acumula ganho semanal
No mercado de commodities, os preços internacionais do petróleo registraram perdas pelo segundo pregão consecutivo, mesmo com a continuidade dos confrontos entre EUA e Irã.
O barril do tipo Brent, referência para o mercado global, recuou 0,38% e fechou cotado a US$ 76,01. Apesar da baixa diária, o produto encerrou a semana com uma expressiva valorização acumulada de 5,39%. Já o barril do tipo WTI, negociado no Texas (EUA), caiu 0,93%, cotado a US$ 71,41.
O mercado financeiro segue monitorando de perto o fluxo no Estreito de Ormuz, canal marítimo estratégico por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. Embora o tráfego de navios tenha registrado redução desde a retomada dos ataques na região, a manutenção da rota aberta ajudou a afastar o medo de um desabastecimento severo em escala mundial. Em paralelo, os investidores continuam acompanhando os canais de negociação entre as autoridades americanas e iranianas para calibrar as expectativas de preços para as próximas semanas. (com informações da Agência Brasil)



