Uma notícia pegou de surpresa, na terça-feira (31), os profissionais que faziam parte da equipe do programa “Cidinha Livre", exibido pela Band Rio, e apresentado pela deputada estadual Cidinha Campos. Após o fim da edição, a direção da emissora informou que todos os jornalistas, bem como a apresentadora, estavam demitidos e que atração sairia do ar. Segundo informou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), são cerca de vinte os profissionais desligados: três repórteres, cinco produtores, três editores, um assistente de câmera e três estagiários, entre outros profissionais.
A justificativa do canal aos demitidos foi que o espaço na grade de programação era deficitário e que daria mais despesas do que receita. “Disseram que o programa é muito caro, mas é o de maior audiência de produção carioca", disse Cidinha Campos, em entrevista do Sindicato. De toda a equipe que compunha o “Cidinha Livre", somente três cinegrafistas foram mantidos na emissora. A grande queixa dos funcionários mantidos é que não foi dado nenhum aviso anterior, tanto que o programa foi ao ar na terça-feira normalmente. Enquanto nenhuma outra atração ocupa o espaço deixado por Cidinha Campos, a Band Rio exibirá a programação de São Paulo.
Cidinha Campos é uma veterana jornalista e radialista. Seu programa na Rádio Tupi, onde esteve por mais de 20 anos, foi o único a superar em audiência o do até então imbatível Haroldo de Andrade. Sua popularidade a aproximou de Leonel Brizola, da política e do PDT. Liderou campanhas como a que levou a máfia do INSS para a cadeia e recentemente fez um discurso na Alerj que emocionou pela coragem com que se colocou contra a corrupção. Por esse currículo, foi chamada há alguns meses para manter um programa vespertino na Band.
“Volto amanhã, se deixarem"
"Alô, gente boa. Eu tô subindo. Volto amanhã, se deixarem." É com este bordão que a deputada estadual Cidinha Campos sempre se despede do público que a acompanha, seja no rádio ou na TV. E foi com ele que ela encerrou o último programa na Band Rio, o "Cidinha Livre", que ia ao ar nas tardes de segunda a sexta. Nessa edição, ela pedia desculpas aos seus telespectadores por não ter tempo de responder a todas as mensagens que chegavam a sua caixa de e-mail e que faria isso nas próximas edições do "Cidinha Livre". Não deixaram. Poucos minutos após o fim do programa, uma mensagem via Twitter pegou todos os seus telespectadores de surpresa.
"Meu programa de televisão acabou. Foi bom enquanto durou", postou a deputada, para logo depois emendar, via Facebook. "Mesmo sendo a maior audiência da programação carioca, a Band tirou o meu programa do ar sob a alegação de que era 'muito caro'. Agradeço o carinho de todos vocês!" Em entrevista exclusiva ao site “O Repórter", Cidinha deu detalhes sobre a sua saída da emissora, que foi procurada pela reportagem e não retornou os contatos.
Cidinha, como foi o comunicado da Band a você e a sua equipe?
- Eu fui pega de surpresa, com toda a minha equipe. Eram 19 profissionais para fazer o programa. E quem foi falar com a direção fui eu. Eu fui dizer que precisava de mais gente, porque o meu programa não era fácil fazer.
E como eles te receberam?
- Lamentavelmente patrão parece ser tudo igual. Só muda a frequência e o canal de televisão. Fui pedir mais gente e a direção me disse que não dava porque o meu programa ia acabar. Aí, eu perguntei quando seria e eles me responderam: 'hoje' (31 de janeiro).
Você acredita que pode ter haviado alguma pressão política para que você saísse do ar? Você 'batia' muito forte em políticos.
- Não acredito que tenha sido isso. Eu sou amiga do governador Sérgio Cabral, do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Não tenho nenhum problema com eles. A não ser que a Band tenha alguma estratégia nessa área. Alguma coisa com o Gabeira [deputado federal pelo PV]. Mas não acredito em influência política.
Por que então, sendo o programa de maior audiência da grade carioca, a emissora resolveu tirá-lo do ar?
- Como eu disse, o meu programa dava trabalho para ser produzido. E a Band não quer ter trabalho, quer ganhar dinheiro. Eu pegava a audiência da "Furacão 2000" no traço e dava mais pontos no Ibope do que o 'Brasil Urgente Rio'.
E não pensaram em aproveitá-la no horário que antecede o Datena?
- Sim, chegaram a me propor há um tempo, mas não podia aceitar. Nesse horário eu tenho um compromisso na Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio] onde eu fui eleita para representar o povo.
No seu programa de estreia na Band, em novembro de 2010, você havia agradecido aos diretores da emissora, especificamente ao Daruiz Paranhos, Diretor de Jornalismo. Ficou alguma mágoa pela quebra de contrato?
- Nenhuma mágoa. Na primeira vez que eu fui demitida na minha vida chorei, parecia que o mundo ia acabar. Mas depois de um tempo você acostuma. Eu fiquei agradecida porque eu não pedi para estar na Band. Eles foram me buscar em casa e a ideia que passaram foi: 'Nós vamos investir no Rio e você tem a cara do Rio'.
E agora, lembrando disso, não te chateia?
- O que me deixa chateada é a demissão de toda a equipe. Acho que alguns serão aproveitados, mas 19 profissionais foram dispensados. A pior coisa foi a maneira que acharam para acabar com o programa. Tenho contrato até abril de 2012, mas eles resolveram acabar com o programa antes do fim do contrato.
Ainda é cedo para falar sobre o futuro ou você já tem convites para outras empresas? Pensa em voltar ao rádio?
- Rádio nunca mais vou fazer. O rádio me sugou. Eu acordava às 4h da manhã para fazer o meu programa. Agora tenho que olhar pelo lado bom. No carnaval eu iria passar trabalhando, agora vou poder ir à praia. Eu tinha um convite para ir à China que não pude aceitar por causa do trabalho, agora posso.
Vida que segue Cidinha?
- É. Eu lí um livro há muito tempo e que recomendo, do escritor inglês Graham Greene, ' Quem perde ganha'. Apesar de estar esgotado, vale a pena procurar. Agradeço ainda a todas as manifestações de carinho que recebi.


