Ao abordar este assunto, Dica comentou a discutida entrevista exclusiva concedida pelo ex-prefeito Zito ao Capital, na qual também fez várias abordagens e críticas ao atual prefeito de Duque de Caxias. “Quem teve chance de fazer e não fez, não pode cobrar nada", disparou o deputado, que acrescentou: “Isso, na verdade, é uma autodefesa dele, tentar bater para não apanhar mais".
- Se você perguntar a população de Caxias se ela ficou satisfeita com a maneira como ele entregou a cidade, com muito lixo e dívidas, certamente vai ouvir que não. Ele e seus secretários se esconderam de vergonha - disse o deputado. “E isso também nos deixa muito triste, porque ele sabe que não se endireita em cinco, seis meses, erros de vinte e tantos anos de gestão. Alexandre Cardoso assumiu uma grande crise, a saúde e a educação em condições horrorosas, a área social com equipamentos acabados, sem alimentação, pessoas desassistidas, a falta de um tratamento adequado a idosos e crianças. A atual gestão, posso garantir, vai cuidar da família caxiense", assinalou.
O deputado também comentou as manifestações que tomaram conta do País e acha que a classe política não pode deixar de considerar o grande recado vindo das ruas: o atual formato político está ultrapassado. “Não podemos deixar de condenar esse modelo. Quando você coloca votação solta, livre, pode eleger em todo estado. Aí vem o poder financeiro em favor daqueles que só aparecem na época da eleição. Sou favorável ao voto distrital, não ao distrital misto, mas ao distrital simples. Quando você elege pelo voto distrital, você elege aquele que você vê a todo momento, aquele que você sabe que trabalha".
Ainda sobre as manifestações, Dica explicou que algumas das reivindicações levadas às ruas já eram motivos de preocupação dentro da Assembléia Legislativa e muitas já decididas. “O voto secreto, por exemplo, não existe mais na Alerj, é tudo voto aberto, seja em cassação, eleição para presidente. Temos uma lei estadual que contempla os estudantes do Estado com o passe livre. Acabamos com a previdência dos deputados, que no meu ver deveria acabar para todos. Agora, temos outras demandas, como o preço das passagens, por exemplo. Agora, uma questão que não foi para as manifestações foi a de abastecimento de água. Isso tem que ser debatido e deveria estar na pauta das manifestações, porque é impossível viver sem água e a Baixada Fluminense está vivendo uma crise de abastecimento. Essa é outra preocupação minha, além dos problemas na área da saúde, educação. Encaminhei um pedido de CPI para a Cedae e até por essa iniciativa, está tendo um investimento maior em Duque de Caxias. Dica disse acreditar que as manifestações refletiram na queda de popularidade do governador Sérgio Cabral. “Na verdade, eu acho que isso influiu direto, porque os assuntos graves foram debatidos, a população não tinha essas respostas colocadas em prática e não viu o governador se mexer. Precisou realmente essa mobilização, mostrando que a população acordou e viu que os governantes podiam fazer muito mais e não fizeram".
Sobre a gestão do prefeito Alexandre Cardoso, iniciada em 1º de janeiro último, Dica vê com naturalidade alguns questionamentos nas ruas e nas redes sociais. “Muita gente não procurou saber de que maneira foi encontrada a cidade e nem reconhecer que a gestões anteriores não corresponderam. A última, então, foi catastrófica, quebrou o município, deixando projetos inacabados, desvio de verbas, unidades de saúde caindo aos pedaços, colégios sem condições de se estudar, falta de merenda nas instituições públicas, IPMDC sem dinheiro, tudo muito ruim. Eu só espero que a população não esqueça, porque são muito imediatistas, os que cobram hoje são os esquecem amanhã, então, eu vejo que a gestão do Alexandre é uma gestão consciente, está preparando a cidade para o melhor. Agora, é o que o Alexandre Cardoso fala: já está bom? ainda não está bom. O IPMDC, então, não tem caixa, se bobear em 2018, 2019 ou 2020, não vai ter dinheiro para pagar o pensionista e o aposentado. Hoje a cidade está mais limpa, mais iluminada, sofreu um choque de administração, não daquela maneira que ele queria fazer, mas da maneira que pode fazer. Agora, eu não tenho dúvida nenhuma que a gestão do Alexandre Cardoso vai ser muito melhor do que estas todas que passaram, não tenho dúvida nenhuma".
Dica voltou a enfatizar a necessidade de voltar as atenções para os mais carentes, como defendia quando candidato no primeiro turno das eleições para prefeito. “No segundo turno, levei essas propostas para o Alexandre Cardoso, que as abraçou de imediato. Estamos começando a quebrar barreiras. A primeira ação do governo foi uma ação inédita no Brasil, que foi entregar às vítimas da tragédia de Xerém, em apenas seis meses, novas casas totalmente equipadas, com geladeira, televisão, móveis e utensílios. Na gestão passada, as únicas casas que eles entregaram do Minha Casa Minha Vida, são conhecidas com “Minha Casa Minha Tristeza", foram todos em lugares horríveis, sem abastecimento de água e que enchem quando chove. E o exemplo maior foi ali no Parque Paulista, onde os únicos conjuntos entregues estão ao relento. Os moradores querem sair de lá, porque acham que aquele lugar não é habitável. E agora a ação social, vocês tem que rodar os equipamentos para ver de que maneira a cidade está sendo cuidada, está sendo humanizada, na verdade estão sendo valorizadas as famílias. Que as famílias vão ser valorizadas nesse governo eu não tenho duvida nenhuma, ao contrário das gestões anteriores que tentaram cuidar da cidade e nem isso fizeram. Nós vamos cuidar da cidade, mas vamos cuidar das pessoas que moram nela", disse.
Perguntado sobre o assunto segurança pública, Dica afirmou: “Sou contra esse negócio de fazer UPP em um lugar ou outro, ou você faz um negócio mais abrangente ou não faz, porque quando fez muito no Rio de Janeiro e privilegiou a cidade mas esqueceram da Baixada Fluminense. Isso acabou provocando um êxodo de bandidos para a nossa cidade, piorando ainda mais a situação, com a vinda de marginais para cá. Agora, temos que ter em mente que a educação é uma das grandes armas para se combater a insegurança. É preciso cada vez mais investimentos sociais, oferecendo ensino de maior qualidade, criando emprego e oportunidades para os jovens terem uma vida melhor, você não precisa criar UPP, que na verdade é algo imediatista e paliativo, uma maquiagem que um dia vai cair e você vai ver que não era para ser feito. Deveríamos é realizar um projeto consciente, investindo nas comunidades, com melhores colégios, melhores equipamentos, valorizando os profissionais da rede pública, pessoas que se preparam e se dedicam ao seu trabalho. Investir no social é investir no cidadão, na família. Creio que este é um caminho importante para diminuir a insegurança e combater a marginalidade".


