- Encontrei a secretaria desse jeito no dia dois de janeiro - disse em entrevista exclusiva ao Capital a Secretária de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento de Duque de Caxias, Lauricy Fátima Silva de Jesus, apontando para fotografias de salas repletas de lixo e banheiro entupido de papéis, na sede da Secretaria, em Jardim Primavera. Perguntada se houve transição entre o secretário anterior e ela, Lauricy de Jesus respondeu categórica: “Não. Eu tentei várias vezes, antes de assumir, mas o ex-secretário não aceitou. Tentei encontrar com ele na Secretaria e nem assim foi possível, ele não recebeu também minha advogada nem o meu subsecretário. O ex-secretário chegou até mesmo a chamar a política para que não pudéssemos entrar na Secretaria".
Lauricy prosseguiu fazendo um rápido balanço do que encontrou. “Temos as fotos para mostrar tudo. Não havia um processo de licenciamento dentro da secretaria, papeis de licenciamento, com marca d’água, produzido na Casa da Moeda, jogados no vaso sanitário e no chão do banheiro. Computadores deletados e com senhas que não nos foram passadas. Não encontramos documentos importantes sobre custeio, convênios, listagem de funcionários, tudo desaparecido. Eu não tinha nada, nada nessa secretaria. Tive que solicitar, à secretaria de Governo as leis ambientais do município dos últimos dez anos, tivemos que buscar na secretaria de Administração a relação de funcionários. A secretaria não tinha memória", acrescentou Lauricy.
Segundo ela, o Parque da Taquara estava com muito lixo - disse exibindo novas fotos mostrando o abandono. Lauricy lembrou que encontrou também quatro lonas eco-culturais abandonadas. Ela disse que só foi dar conta desses e de outros problemas quando a cidade começava a voltar à normalidade após a tragédia de Xerém. “Essa questão das lonas é interessante, pois descobri que na gestão anterior ela foram adquiridas por R$ 50 mil cada. Elas foram compradas mas não tinha projeto para elas. Agora estamos planejando montá-las para funcionarem por nós e pela Secretaria de Cultura", antecipou.
A Secretaria informou que teve que fazer uma lista com os nomes dos técnicos para o Inea, às pressas, antes mesmo de sua posse, para que o município não perdesse o poder de fazer licenciamentos ambientais por falta de técnicos. Acrescentou que a Prefeitura promoveu uma auditoria administrativa através da secretaria de Administração, para detalhar o patrimônio do órgão. Lauricy falou também da carência estrutural da secretaria. “Um levantamento que fizemos há duas semanas mostrou que haviam 491 processos de licenciamento em andamento. São processos deste ano e de 2012. Porém, muitos deles não encontramos quando chegamos. Muitos processos são mais fáceis de serem concluídos. Outros porém são complexos e a equipe tem que ser aumentada para que possamos atender a demanda. Eu preciso de especialistas em análise de risco ou uma empresa que possa fazer esse serviço. Hoje a minha equipe de educação ambiental é composta de cinco pessoas. É muito pouco para um município da grandeza de Duque de Caxias". Lauricy de Jesus fez questão de destacar o empenho do prefeito Alexandre Cardoso para a realização de concurso público, simplificado, para atender as necessidades da pasta. “Hoje a realidade já é outra se compararmos ao momento que assumimos. Com o aval do prefeito, já conseguimos restabelecer o sistema de informática da Secretaria, com a compra de novos computadores, além da aquisição de móveis e utensílios diversos".
Sobre a implantação do Arco Metropolitanos e do chamado Arquinho, que fará a ligação com a área da Reduc, a secretária lembrou que tais obra foram licenciadas durante o governo anterior e que hoje seu andamento está sendo acompanhado de perto e com sua equipe fazendo a devida fiscalização. “Até o momento tudo está indo bem", informou. Sobre a fábrica da Coca-Cola, no 3º Distrito, que segundo ela será licenciada pelo Inea, a secretaria também está acompanhado de perto.


