A conjunção de inflação, economia hesitante e tomada de financiamento para o pagamento de dívidas antigas contribuiu para que menos brasileiros fizessem compras a prazo no mês de maio, de acordo com pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), em parceria com o Instituto Ipsos. De acordo com a sondagem - feita com mil consumidores de 70 municípios - a parcela de consumidores brasileiros que tinham alguma conta parcelada a pagar em maio atingiu 40,1%. O resultado foi 6,7 pontos percentuais menor do que em maio do ano passado.
A pesquisa revela que no mês de maio houve diminuição na utilização do cartão de crédito (37,4% em maio de 2013 para 34,5% em maio de 2014) e recuo do crédito pessoal (14,8% para 13,0%). Segundo a Fecomércio-RJ, a tomada de financiamento para o pagamento de dívidas evolui desde fevereiro, e chegou ao maior nível do ano em maio como opção para 17,1% dos que têm algum parcelamento.
Apesar de toda a cautela, a parcela dos que dizem que o orçamento familiar está no limite (45,8%) superou o volume de brasileiros (33.3%) que relataram sobra de alguma quantia do rendimento mensal após o pagamento das dívidas. Christian Travassos considerou normal esse comportamento, que se verifica em toda a série histórica do perfil. Segundo ele, “a conta certa é historicamente maior do que a sobra. Nós temos um em cada três brasileiros com sobra no orçamento ao fechar as contas, resultado dessa pisada no freio". Isso também se refletiu na Pesquisa Mensal do Comércio feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e nos indicadores da economia como um todo, lembrou.



