Integrantes da força-tarefa da Lava Jato desconfiam que alguns delatores omitiram informações, propositalmente ou não, que possam comprometer tucanos. A notícia foi postada, no portal “El País". Por isso, segundo o órgão, os investigadores farão uma espécie de recall, convocando essas pessoas a prestarem novos depoimentos. Alguns desses delatores seriam representantes da Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez.
A desconfiança, de acordo com o “El País", começou na análise de informações fornecidas antes do acordo de delação premiada das empreiteiras Odebrecht e OAS, quando representantes dessas empresas relataram pagamentos de propina em obras que elas participaram ao lado de outras investigadas, como concorrentes. Estão na mira da força-tarefa, por exemplo, obras do Rodoanel e do Metrô de São Paulo, nas gestões de José Serra e Geraldo Alckmin, e da Cidade Administrativa de Belo Horizonte, em Minas Gerais, quando o Estado era governado por Aécio Neves. Propina paga para garantir a participação em obras do governo federal, durante o governo Dilma Rousseff, também não estão descartadas.
Se ficar comprovado que esses delatores omitiram informações, o acordo de delação premiada que ainda não foi assinado poderá ficar comprometido, uma vez que o investigado precisa relatar todas as irregularidades das quais participou. O acusado pode até receber uma pena maior, pois não teria cumprido sua parte do acordo com o Ministério Público Federal. Segundoo relato de alguns empresários aos investigadores, a suspeita é de que os delatores têm evitado comprometer o atual governo e o PSDB, que hoje apoia Michel Temer, pela necessidade de continuar firmando contratos com o poder público.


