Ambulantes de Duque de Caxias estão tornando público um esquema de pagamento de propina para que possam continuar trabalhando no centro da cidade. Simultaneamente, denunciam a tomada de seus “pontos" por prepostos da administração municipal, para que sejam “revendidos" a outros interessados, por valores exorbitantes. A denúncia anônima circula nas redes sociais e pede o apoio de autoridades policiais e do Judiciário.
Os camelôs afirmam serem vítimas de extorsão que teria origem na cúpula da Secretaria Municipal de Serviços Públicos, que tem como titular Eduardo Feital e seu irmão Roger Feital como subsecretário. O secretário é vereador licenciado. As denúncias informam que ambos teriam “montado uma máquina de arrecadar dinheiro no setor de posturas da Prefeitura". Faz parte do esquema, segundo eles, a pressão para devolverem seus “pontos" ocupados no calçadão da Rua José de Alvarenga, próximo ao Shopping Center, para que os mesmos sejam repassados para outras pessoas a preços que variam de R$ 5 mil a R$ 20 mil. Os valores dependem da localização de cada “ponto", segundo os denunciantes. Todos os que trabalham são obrigados a contribuir com o esquema. Segundo relatos dos denunciantes, os agentes que atuam em nome da cúpula da Secretaria são conhecidos como Nino e Márcio.
Um dos ambulantes disse que perdeu o “ponto" localizado na calçada da antiga Drogaria Guedes, próximo ao Shopping Center, e que o mesmo foi “revendido" por R$ 20 mil. Indignado com o que aconteceu e em dificuldades, disse que procurou o prefeito Washington Reis que, por sua vez, nada fez para corrigir a injustiça. Essa atitude de omissão do prefeito, segundo o ambulante, fortaleceu o esquema de arrecadação de propina. “É um esquema sórdido, desumano e cruel, que tira o nosso sustento por interesses de pessoas inescrupulosas", explicam.
Os denunciantes dizem que não tem mais a quem apelar e pedem o apoio de órgãos de imprensa, do Ministério Público e até da Polícia Federal, bem como da Câmara Municipal, uma vez que o Secretário é vereador licenciado do PRP. Eles pedem sigilo de seus nomes sob alegação de “segurança" e temendo represálias por parte dos representantes do Poder Público.
O Capital, objetivando dar oportunidade às autoridades para se manifestarem sobre a denúncia, fez contato com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura e com o Secretário de Serviços Públicos Eduardo para esclarecerem as denúncias. Embora os emails tenham sido enviados com alguns dias de antecedência, não foram respondidos até o fechamento da edição, nesta segunda-feira (13).


