
Ao expressar um “não" ao arquivamento da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer, no fim do mês passado, o deputado federal Celso Pansera vem recebendo elogios e apoios por parte de eleitores, populares e órgãos representativos da sociedade civil. Não é de hoje que o parlamentar de Duque de Caxias vem marcando posição coerente nas votações na Câmara e mostrando descontentamento com as decisões impopulares do governo Temer.
Celso Pansera foi contra a Reforma Trabalhista e, mesmo antes, já havia mostrado firmeza quando votou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O parlamentar também tem feito um trabalho forte diante do corte drástico no orçamento na área de Ciência, Tecnologia e Inovação.
O presidente, que substituiu Dilma após seu afastamento, conseguiu que a denúncia contra ele fosse suspensa, mas com margem de votos menor do que esperava, revelando fragilidade na sua base. Em agosto, quando da votação da primeira denúncia, Temer tinha mais apoio, recebendo 263 votos a seu favor, agora foram menos: 251 deputados votaram para barrar a investigação contra o presidente. O mesmo ocorreu com o número de votantes desejosos do prosseguimento da investigação: 227 na primeira e, desta vez, 233 parlamentares.
Ao ser indagado pelo Capital sobre alguma retaliação que teria sofrido após votar novamente contra Temer, ele respondeu: “O partido não se manifestou até o momento, diferentemente da primeira votação, quando houve suspensão dos meus direitos partidários por sessenta dias", lembrou Pansera.
A repercussão de seu voto foi maior ainda desta vez: “É muito comum as pessoas na rua saudando e parabenizando a nossa atitude, o nosso voto, principalmente os meus eleitores, que fazem questão de dizer que eu os represento, dizem que dá uma grande satisfação saber que votou corretamente. A gente tem encontrado apoio na população e também na sociedade civil. Tanto que aumentaram muito os convites para participar de atividades em universidades, sindicatos e escolas, enfim, essas organizações que reúnem esse espírito mais crítico com relação à política. Isso também demonstra que estamos num bom caminho", comentou.
- Foi um voto coerente com o que eu penso, eu que fui contra o impeachment, que julguei que a saída da Dilma jogaria o Brasil numa situação de muita instabilidade institucional, de incertezas sobre o futuro, de dificuldades econômicas ainda maiores. E é o que está acontecendo. Então, dentro desse escopo, eu tenho a sensação de que há uma compreensão das pessoas sobre a minha decisão e um apoiamento ao meu voto - concluiu.


