A participação da energia eólica (dos ventos) na matriz energética brasileira, que hoje está em 0,8%, deverá atingir 7% em 2020, conforme prevê o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDEE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões, considera o número modesto. Segundo ele, o setor pode ter participação, em 2020, de 15% na matriz energética. Para isso, de acordo com Simões, é necessária a realização de leilões exclusivos, além da busca do domínio tecnológico. “Com leilões exclusivos, você obtém ganhos de escala para que, quando os mercados tradicionais, como a Europa e Estados Unidos retomarem, você tenha uma indústria consolidada, para poder manter a competição dessa fonte."
Para o presidente da Abeeólica, a tecnologia não está consolidada no país. “O Brasil precisa dominar essa tecnologia". Com esse objetivo, a entidade está trabalhando na construção de uma rede de pesquisas que irá culminar na criação de um centro de pesquisas de energia eólica. Para isso, foi contratada a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). A instituição fará um estudo sobre como deverá ser essa rede.
No final de setembro, a associação promoverá uma reunião da qual participarão os vários segmentos interessados no projeto: governo, fabricantes, institutos de pesquisa. O objetivo é tentar viabilizar a rede de pesquisas ainda este ano, para definição posterior do centro de energia eólica. Simões acredita que o centro iniciará as operações entre 2012 e 2013. Ainda não está decidido, também, se o modelo de gestão do centro será público, privado, ou misto, envolvendo uma parceria público privada (PPP). “Vai depender de como evoluirá essa rede de pesquisa".
No final do mês, será iniciada, no Rio de Janeiro, a segunda edição da Brazil Wind Power, congresso e feira do setor eólico promovidos pela Abeeólica e pelo Conselho Mundial de Energia Eólica. O evento reunirá os principais executivos e autoridades do setor, além de fabricantes instalados no país e representantes da comunidade científica, para debater questões como a sustentabilidade, o meio ambiente e energias renováveis.



