Daniel Vorcaro entrega proposta de delação premiada à PGR e à Polícia Federal
- mai 07, 2026
Dono do Banco Master propõe revelar esquema com políticos e magistrados; acordo depende de análise e homologação do STF
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, deu um passo decisivo em sua estratégia jurídica ao entregar, nesta terça-feira (5), uma proposta formal de acordo de delação premiada. O documento foi apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e aos investigadores da Polícia Federal (PF), abrindo caminho para revelações que podem atingir figuras do alto escalão dos Três Poderes.
A expectativa central é que Vorcaro detalhe relacionamentos ilegais mantidos com políticos e magistrados. No momento, o conteúdo da proposta permanece sob sigilo. PGR e PF iniciarão agora uma fase minuciosa de análise, podendo solicitar informações complementares caso considerem os dados preliminares insuficientes.
O rito da delação e os próximos passos
Como o acordo ainda está em fase embrionária de negociação, não existe um prazo estabelecido para a conclusão da análise. Após o crivo dos investigadores, os termos dos benefícios jurídicos oferecidos ao banqueiro — como redução de pena ou regime diferenciado — deverão ser discutidos.
Para que a colaboração ganhe validade jurídica, a proposta final precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça é o relator das investigações que apuram fraudes bilionárias no sistema financeiro envolvendo a instituição de Vorcaro.
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Histórico e prisões
Daniel Vorcaro permanece detido na superintendência da Polícia Federal em Brasília. Sua prisão mais recente ocorreu em 4 de março, durante a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero.
A investigação da PF foca em dois pilares principais:
- Fraudes financeiras: Irregularidades na gestão do Banco Master.
- Negociações com o BRB: A tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
O pedido de prisão, aceito por André Mendonça, fundamentou-se em novos dados que apontam que o banqueiro teria dado ordens diretas para intimidar jornalistas, empresários e ex-colaboradores. Além disso, as investigações indicam que Vorcaro teria obtido acesso privilegiado e prévio a informações sigilosas do processo.



