Petrobras antecipa operação da P-79 e amplia produção no Campo de Búzios
- mai 04, 2026
Unidade terá capacidade para 180 mil barris diários; início das atividades ocorre em meio à crise global de preços provocada pelo conflito no Irã
A Petrobras iniciou, neste feriado de 1º de maio, a operação do navio-plataforma P-79, localizado no Campo de Búzios, na Bacia de Santos. A entrada em produção ocorreu com uma antecipação de três meses em relação ao cronograma original, reforçando a estratégia da estatal de acelerar a entrega de novas unidades para ampliar a oferta de energia no mercado nacional.
A P-79 é do tipo FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência) e possui capacidade para produzir até 180 mil barris de óleo e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos (m³) de gás diariamente. Com a nova unidade, o Campo de Búzios passa a contar com oito plataformas em atividade, elevando sua produção total para cerca de 1,33 milhão de barris por dia.
Logística e integração com o Rota 3
A nova plataforma foi construída na Coreia do Sul e chegou ao Brasil em fevereiro. Para otimizar o tempo, uma equipe da Petrobras realizou o comissionamento (ajustes técnicos para operação) ainda durante a viagem marítima para o país.
Além da produção de óleo, a P-79 terá um papel estratégico na oferta de gás natural. A unidade foi planejada para exportar o insumo via gasoduto Rota 3, o que deve acrescentar até 3 milhões de m³ por dia ao consumo brasileiro. O módulo de produção, denominado Búzios 8, prevê a interligação de 14 poços (8 produtores e 6 injetores).
O gigante Campo de Búzios
Descoberto em 2010, Búzios é o maior campo de petróleo em reservas do Brasil. Localizado a 180 km da costa do Rio de Janeiro, o reservatório está a uma profundidade de 2 mil metros. A Petrobras, que opera o campo em consórcio com as chinesas CNOOC, CNODC e a PPSA, planeja instalar mais quatro plataformas no local nos próximos anos (P-80, P-82 e P-83, já em construção, e uma quarta em licitação).
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Contexto global: Choque do petróleo e Guerra no Irã
O reforço na produção brasileira ocorre em um momento de extrema volatilidade no mercado internacional. Desde 28 de fevereiro, o mundo enfrenta um choque nos preços do barril devido à guerra no Irã, iniciada após ataques de Estados Unidos e Israel ao país persa.
O conflito gerou o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% da produção mundial de óleo e gás. Essa interrupção logística reduziu a oferta global, pressionando os preços das commodities. Como o petróleo é precificado internacionalmente, o impacto é sentido diretamente nas bombas de combustíveis no Brasil.
Para mitigar a alta da gasolina e do diesel — cujo consumo interno ainda depende em 30% de importações —, o governo federal tem adotado medidas como isenções fiscais e subsídios. Paralelamente, a Petrobras mantém o plano de tornar o Brasil autossuficiente em diesel em até cinco anos.
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