No início do governo em uma prefeitura da Baixada, os Secretários de Fazenda e de Administração divergiam sobre o índice de reajuste dos salários dos servidores, o primeiro do novo governo. Enquanto o secretário de administração defendia um reajuste de 14%, seu colega da fazenda, um auditor fiscal aposentado, defendia o índice menor. O Secretário de Fazenda ganhou a “disputa" convencendo o prefeito que a economia com o reajuste de apenas 10% na folha de pagamento permitiria alguns quilômetros a mais na pavimentação de ruas e avenidas, o que imprimiria ao seu governo um alo progressista e preocupado com o bem estar da população.
A posição bovina dos brasileiros – que tudo aceitam sem reclamar – está num truque legal: ao contrário do Imposto de Renda, cobrado individualmente de cada um, a maioria dos impostos são cobrados na produção e embutidos nas mercadorias e serviços. Assim, por estarem camuflados, ninguém reclama do imposto abusivo sobre o pãozinho, o cafezinho, o leite, o feijão, o arroz, o óleo de soja, o fubá, o tomate e a batata.
Para Paulo Gontijo, presidente do Conselho de Jovens Empreendedores da Associação Comercial do Rio de Janeiro, que participou do feirão de impostos, o consumidor precisa saber o que paga ao governo para exigir melhores serviços. “Muita gente não imagina o quanto paga em impostos camuflados. Se todo mundo souber o peso disso no orçamento, vai poder cobrar de forma mais eficaz a contraprestação dos serviços, ou seja, exigir que as ruas sejam mais bem pavimentadas e iluminadas, que a polícia seja mais estruturada", destacou. “Além disso, poderemos refletir melhor na hora de votar, avaliando se os governantes estão nos devolvendo o volume de impostos que pagamos em serviços bem prestados", acrescentou. “Além disso, poderemos refletir melhor na hora de votar, avaliando se os governantes estão nos devolvendo o volume de impostos que pagamos em serviços bem prestados", acrescentou.
De acordo com Gontijo, entre os produtos com as maiores taxações estão os importados em geral, além de cigarros e álcool. Os impostos chegam a representar 80% do preços dessas mercadorias. “Esses casos são até compreensíveis, até porque para cigarro e álcool tem a questão da saúde pública. Existem outros exemplos, no entanto, que são no mínimo estranhos. Na água, que é um produto de necessidade básica, e nos biscoitos, que integram a cesta básica, os impostos correspondem a 40% do valor de venda. O consumidor poderia pagar bem menos por esses produtos se a carga tributária fosse menor", disse.
Como teremos eleições em 2012, seria bom que o eleitor pensasse no seu bolso na hora de escolher em quem vai votar para tomar conta das finanças públicas do País.


