Governo inicia retirada gradual de subsídios aos combustíveis e encerra ajuda de R$ 0,35 no diesel
- jul 01, 2026
Recuo do petróleo no mercado internacional após arrefecimento de tensões no Oriente Médio permite equipe econômica iniciar corte de subvenções para proteger meta fiscal
O governo federal anunciou o início da retirada gradual dos subsídios emergenciais criados para amortecer o impacto da alta dos combustíveis no mercado interno. A primeira medida prática da decisão entrou em vigor nesta quarta-feira (1º), com o encerramento da subvenção de R$ 0,35 por litro de óleo diesel.
A decisão econômica foi motivada pela recente queda no preço internacional do petróleo, que vinha pressionado devido aos desdobramentos da guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. Com o recuo da commodity no exterior, a equipe econômica avalia que o cenário permite o corte dos incentivos sem penalizar o consumidor final na ponta da cadeia.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que o monitoramento do mercado é diário e sinalizou que novas reduções estão no radar do Palácio do Planalto:
"Estamos tirando a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel a partir de amanhã e não vamos parar por aqui. Estamos em avaliação da outra subvenção do diesel, que é R$ 1,12, e, em especial, também da gasolina, de R$ 0,44", afirmou Durigan.
O que muda e o que continua em vigor
Neste primeiro momento, apenas a parcela de R$ 0,35 do diesel foi descontinuada. Para garantir a estabilidade econômica e evitar repasses abruptos, uma robusta estrutura de suporte aos derivados de petróleo permanece ativa sob avaliação constante do governo.
Benefícios mantidos temporariamente:
- Subsídio de R$ 1,12 por litro do diesel;
- Subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina;
- Subsídio ao gás de cozinha (GLP);
- Desoneração de tributos federais sobre o biodiesel;
- Desoneração de tributos federais sobre o querosene de aviação (QAV).
Leia também: Rio de Janeiro oficializa adesão ao Propag e reduz dívida com a União em R$ 42 bilhões
Leia também: Ministério da Fazenda lança painel inédito para detalhar R$ 340 bilhões em benefícios fiscais Subtítulo
Leia também: Déficit do setor público salta para R$ 56 bilhões em maio e dívida bruta chega a 81% do PIB
Alívio no Oriente Médio derruba preço do Brent
A flexibilização das medidas emergenciais, adotadas originalmente em março deste ano no auge do conflito geopolítico, foi viabilizada após a assinatura de um acordo parcial de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. O alívio nas tensões logísticas e produtivas fez o barril de petróleo tipo Brent recuar para a casa dos US$ 70 — patamar equivalente ao período anterior à crise internacional.
Como grande parte dos pacotes de auxílio aos combustíveis era financiada justamente pelo excesso de arrecadação gerado pela alta internacional do óleo, a queda no preço da commodity reduziu o recolhimento de royalties e impostos de exportação da União, tornando a manutenção dos subsídios integralmente custosa para o Orçamento.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, destacou que a retirada das subvenções é fundamental para dar sustentabilidade e previsibilidade às contas do país:
"Mantida essa premissa da neutralidade fiscal, vamos retirando as subvenções, de modo que a nossa meta de resultado primário seja cumprida, sem nenhuma mudança", declarou Moretti.
Próximos passos e impacto ao consumidor
Caso o mercado de energia internacional se estabilize nos patamares atuais, a expectativa do Ministério da Fazenda é dar sequência ao cronograma de cortes nos repasses da gasolina e do restante do diesel nas próximas semanas.
O movimento foi planejado de forma coordenada e técnica pela administração pública. Segundo o presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto, a modelagem de saída gradual foi desenhada estrategicamente para acontecer sem provocar impactos significativos ou repasses inflacionários nos preços finais praticados nos postos de combustíveis. (com informações da Agência Brasil)
Tags



