Na reunião do Conselho Comunitário de Segurança Publica de Duque de Caxias em dezembro último, o coronel Erir Ribeiro Filho, Comandante Geral da PMRJ, cobrou, publicamente, do prefeito a cessão de uma área para a instalação de uma Companhia Avançada do 15º Batalhão, como fator de contenção da ação dos bandidos que assumiram o controle das comunidades da Mangueira, Sossego e Boa Vista, que ocupam boa parte do Morro da Telefônica, onde, há mais de 50 anos o Governo instalou uma torre de retransmissão, que permitiam as ligações telefônicas entre o Rio e Brasília. Na época, a área era controlada por militares por abrigar, também, o sistema de aproximação do Aeroporto do Galeão.
Com a privatização da Telebrás e a chegada dos telefones celulares e da internet, a torre foi desativada e o local abandonado pelos militares, fato que facilitou a invasão dos traficantes, que se tornou dramática depois da ocupação de diversas favelas da Capital. O Morro da Telefônica funciona como um ponto de observação capaz de bisbilhotar as atividades no quartel do 15º Batalhão, ao alcance de um simples tiro de fuzil. A ousadia dos traficantes era tal que a Prefeitura precisou desativar um posto médico, construído no governo passado e que ocupava o terreno de uma antiga fábrica de tintas, pois não havia como garantir a segurança dos profissionais da saúde, muito menos dos pacientes.
Quinta-feira (26), na primeira reunião deste ano do Conselho e aproveitando a presença do Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, do próprio coronel Erir Ribeiro Filho e da Chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, o prefeito Zito assinou os atos de cessão do antigo posto de saúde, na Rua João Ribeiro, no Centenário, bem como de uma área em Campos Elíseos, onde deverá ser construída a nova Delegacia do segundo Distrito. Agora, a "bola" da Segurança Publica na Baixada está nas mãos do delegado federal José Mariano Beltrame, o festejado secretário de Segurança Pública, que continua saboreando os resultados da política de implantação das UPPs, que funcionam como "cabeças de ponte" do poder publico para recuperar o controle de "territórios" que antes estavam sob o domínio de quadrilhas de traficantes e milicianos.
Todos reconhecem que a tarefa de recuperar a auto estima e a segurança da população da Baixada Fluminens não se resolverá com UPPs, de alcance limitado a alguns quarteirões, mas da reformulação da Política de Segurança Pública, com a reintegração da Baixada Fluminense nos projetos do Governo do Estado. Para começar, é fundamental a recompletação urgente dos contingentes dos Batalhões instalados na região. Em 1962, foi preciso que um quebra quebra destruísse o comércio de gêneros alimentícios de Duque de Caxias e São João de Meriti para que o Governo do antigo Estado do Rio se lembrasse da existência, como pólo econômico, do antigo 8º Distrito de Nova Iguaçu, instalando às pressas o que então foi batizado de 6º Batalhão da PMRJ, que passou a ser responsável direto pela segurança dos municípios desta região. A redistribuição dos quartéis não foi acompanhada por uma reavaliação do número de policiais militares necessários para manter a ordem na região.
A construção das novas sedes das 59ª DP/Caxias e 60ª DP/Campos Elíseos, por exemplo, não pode seguir o padrão de (in)eficiência do DER/RJ, que há mais de 7 anos tenta duplicar um trecho de apenas 15 quilômetros da antiga Rio Petrópolis, que foi inteiramente construída no governo Washington Luis em menos de três anos. Hoje, com um milhão de habitantes, a segurança de Duque de Caxias está entregue a um contingente de pouco mais de 600 homens.
É pouco, muito pouco para uma cidade que é a segunda economia do Estado!


