É comum se dizer que a História é escrita pelos vitoriosos, mas há momentos em que até os derrotados precisam ser lembrados. E a Grande Rio, a tricolor de Duque de Caxias, é a grande vitoriosa pelo segundo ano consecutivo por um simples detalhe. Em 2011, além da União da Ilha e da Portela, o barracão da Grande Rio foi atingido por um incêndio que destruiu, no caso da escola da Baixada, nada menos que 90% do material já preparado no barracão. Cessado o fogo, seus integrantes, com apoio até de outras escolas, conseguiram, em três semanas, refazer parte do que o fogo destruiu e a escola participou, galhardamente, do desfile que, para as três agremiações, não valeriam pontos.
Para homenagear a garra e a valentia de seus integrantes, a Grande Rio resolveu mostrar este ano no novo Sambódromo o que é superação. O enredo não poderia ser mais oportuno e melhor aproveitado para resgatar a sua recente história, reunindo em suas alas o que o Brasil tem de melhor: exemplos de superação no dia a dia. Além dos casos individuais de superação, escola homenageou os cadeirantes que, apesar das barreiras impostas pela falta de planejamento de nossas cidades, empenham-se nas profissões mais diversas, sempre com alto rendimento, numa demonstração que a dificuldade de locomoção não é um obstáculo intransponível para quem tem objetivos e projetos a realizar. E uma prova maior de superação teremos agora nos jogos Paraolímpicos, em que as seleções brasileiras vem se destacando, com um rendimento excepcional em esportes tão difíceis como a natação, o vôlei e a corrida, com seguidos recordes mundiais em diversas modalidades, principalmente na natação.
E a Grande Rio foi muito feliz na escolha de quem iria demonstrar a superação em situações extremas, como o Maestro João Carlos Martins, que, mesmo com todos os problemas de saúde que afetaram os movimentos das suas mãos, não desistiu da sua grande paixão: a música. De pianista de fama internacional, ele voltou a estudar e se tornou um grande maestro, não com a batuta, mas na organização de orquestras formadas por jovens da periferia de S. Paulo, Incapaz de segurar a batuta ou virar as páginas das partituras dos concertos, o maestro João Carlos Martins faz um trabalho minucioso de memorizar nota por nota, demonstrando ainda mais seu perfeccionismo e dedicação ao mundo da música. No desfile de segunda-feira, o maestro tocava pratos, um instrumento que exige muito mais movimentos das mãos do que empunhar uma simples batuta.
E, ao longo da sua História, o Brasil vem dando exemplos marcantes de superação. De grande exportador de café e borracha na II Guerra Mundial, o País enveredou pela industrialização, com a criação da Usina Siderúrgica de Volta Redonda transformando o minério de ferro, de baixo preço no mercado internacional, em aço para a construção civil e a produção de automóveis e outros produtos. Depois da abertura para o mercado externo no Governo Collor, o País passou a receber investimentos de grandes grupos internacionais, tornando-se em pouco tempo em grande exportador de automóveis. Da produção de aviões agrícolas o Brasil se tornou um grande exportador de aeronaves de última geração, da mesma forma que desenvolveu um novo combustível, que, além de proteger o meio ambiente, ainda é renovável, o que não ocorre com o petróleo. Apesar da baixa qualidade do ensino, nossos jovens vem brilhando nas olimpíadas de Matemática, da mesma forma que os alunos do SENAI tem vencido disputas com estudantes de outros países em matéria de ensino profissionalizante.
A superação está no instinto do homem e é a mola propulsora do seu progresso. Na campanha eleitoral de 1955, um médico mineiro afirmou que, se eleito, levaria a Capital para o interior do País. Além de vencer a disputa eleitoral, ele vendeu o derrotismo de muitos e, em apenas 4 anos, construiu uma grande e moderna cidade em pleno cerrado. E foi mais além: além da nova Capital, Juscelino Kubistchek mostrou ao País que um governante precisa de metas, transformando o planejamento econômico em matéria obrigatória nas faculdades de economia.
E o que é hoje o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - se não um conjunto de Metas, que apontam para um novo futuro para o Brasil, que deixou a muito tempo de ser apenas o país do carnaval e do futebol?


