O presidente François Hollande conquistou as melhores condições para governar em seu início de mandato: o Partido Socialista (PS) obteve nas eleições legislativas a maioria absoluta de deputados na Assembleia Nacional. O resultado evita que o novo governo necessite do apoio de outros grupos de esquerda para aprovar no Parlamento suas reformas econômicas e sociais, as quais deverão incluir medidas de austeridade para conter o déficit público do país, como cortes no Orçamento e aumento de impostos. No plano europeu, o Palácio do Eliseu se fortalece politicamente em seu embate com a Alemanha da chanceler federal Angela Merkel pela aplicação de um programa de crescimento na zona do euro.
Os socialistas e seus aliados conquistaram 314 cadeiras, um resultado confortavelmente superior ao patamar mínimo de 289 assentos para a obtenção da maioria no Parlamento. Os conservadores, liderados pela União por um Movimento Popular (UMP), do ex-presidente Nicolas Sarkozy, ficaram com apenas 229 assentos. A votação foi marcada por um patamar recorde de abstenção.
François Hollande preferiu manter a discrição e não misturar sua condição de presidente do país com as questões partidárias. Coube ao seu primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, se dirigir aos eleitores que, com a votação, conferiram uma maioria socialista nas duas casas parlamentares, o Senado e a Assembleia: “Vocês confirmaram a vontade de mudança. Vocês escolheram a coerência, e os engajamentos do presidente da República poderão ser colocados em obra", disse o premier socialista em pronunciamento na televisão francesa.
O governo também pôde comemorar a vitória do primeiro-ministro e de todos os ministros candidatos no pleito legislativo, poupando demissões por causa de derrota eleitoral, uma regra previamente determinada por Jean-Marc Ayrault. Já o desânimo era visível no lado perdedor. “É um dia de derrota, e é preciso reconhecê-la. Uma coisa está clara: nós perdemos", admitiu Jean-François Copé, atual líder da UMP. Além da perda da maioria na Assembleia, o partido da direita não conseguiu eleger alguns de seus caciques, como os ex-ministros Claude Guéant, Nadine Morano e Michèle Alliot-Marie. O partido de centro, o MoDem, também saiu derrotado ao não conseguir reeleger seu líder, François Bayrou.


