O Maracanã estreou domingo (15) na Copa do Mundo com público de 74.738 torcedores, o recorde desde a reinauguração. O primeiro jogo do Mundial disputado no Templo do Futebol, que passou por reforma de adequação para sediar grandes eventos esportivos, foi entre as seleções de Argentina e Bósnia, com vitória dos argentinos por 2 a 1. O primeiro gol da partida, contra, aconteceu aos dois minutos do primeiro tempo e foi marcado por Sead Kolasinac. Lionel Messi fez o segundo para a seleção argentina. Estreante no evento, a Bósnia marcou seu primeiro gol em uma Copa do Mundo, com Vedad Ibisevic, no final do segundo tempo. O governador Luiz Fernando Pezão assistiu à partida. “O Maracanã ficou ainda mais bonito com a Copa. Foi emocionante ver cariocas e turistas de vários lugares do país e do mundo reunidos nessa grande festa. E o mais importante: torcedores puderam vir ao estádio com segurança e tranquilidade. É um momento histórico para o Rio", disse o governador.
Para receber os torcedores, o palco da final da Copa contou com reforço na segurança, com mais de 2,5 mil policiais militares dentro e no entorno do estádio. Uma delegacia móvel também foi instalada próxima ao Maracanã e a Delegacia de Atendimento ao Turista (DEAT) recebe reforço. Cerca de 470 policiais civis a mais foram colocados à disposição, sendo 156 proficientes em outros idiomas. A Secretaria de Segurança instalou ainda duas projeções de delegacias, uma no Aeroporto Santos Dumont e outra no estádio, que têm capacidade para realização de registros de ocorrência, início de inquéritos policiais e auto de prisão. Mais de 20 mil agentes das forças federais, estaduais e municipais intensificam o policiamento em toda a cidade. Eles atuam no monitoramento do Maracanã, estradas, locais de evento, aeroportos e áreas consideradas como pontos de abastecimento de água, luz e telecomunicações.
Além do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Cidade Nova, mais dois centros atuam como ponto estratégico para reforçar a segurança. Um fica dentro do Maracanã e outro em um caminhão, o CICC Móvel, no entorno do estádio. Plataformas de observação elevada também auxiliam no monitoramento. Um sistema acoplado em um helicóptero ajuda o acompanhamento das delegações. Já o Corpo de Bombeiros conta com aumento de 50% de militares nos dias de jogos, o que representa mais 1,5 mil agentes em serviço. O plano de segurança para a Copa do Mundo teve início em maio.
PMs denunciam discriminação da Fifa e alimentação ruim
Policiais militares e funcionários da Prefeitura do Rio de Janeiro escalados para trabalharem no jogo Argentina e Bósnia-Herzegovina, na região do Maracanã, no domingo (15), enfrentaram uma maratona de dificuldades e humilhação. Os cerca de 30 PMs de serviço desde as 9h da manhã, oriundos de vários batalhões, foram impedidos de utilizarem os banheiros do Estádio. Em contato com o Capital, eles disseram que quando precisavam fazer suas necessidades fisiológicas, não tinham o acesso permitido aos banheiros, barreira também enfrentada pelos agentes da Prefeitura. Os PMs reclamaram também da má qualidade das quentinhas que receberam de seus quartéis.
- Nós, policiais, tínhamos apenas o Estádio com banheiros adequados. Eles diziam que não podíamos usar o local por imposição do protocolo da Fifa - explicou o policial militar B, acrescentando que nem as policiais femininas puderam ter acesso aos lavabos. “E o pior é que a proibição era comunicada por um oficial da própria Corporação, no interior do Estádio. Trabalhamos até 14 horas corridas, em pé, e ainda temos que passar por essa humilhação", queixou-se outro PM. Assim como os funcionários da prefeitura, eles tiveram que fazer longas caminhadas até outros locais, entre eles a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e o Metrô, que liberavam a utilização desses espaços aos policiais e funcionários em serviço.
Sobre o transporte da tropa de suas bases até o Maracanã, alguns disseram que foram atendidos por uma empresa de ônibus “por cortesia". Outros, porém, tem que arcar com a despesa de locomoção. Outra queixa feita foi com relação à alimentação. “Na maioria dos casos, a comida era arroz, farofa de ovo e batata palha, menu já muito conhecido da tropa", afirmou outro soldado, ironizando o “padrão Fifa" e lembrando ainda que tiveram as folgas suspensas durante toda a Copa, apenas com a promessa de pagamento do compulsório [RAS-Regime Adicional de Serviço]. “Porém, só Deus sabe quando vamos receber, é uma incógnita", concluiu um cabo.


