A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, declarou não estar preocupada com eventual redução de investimentos no agronegócio em função do ajuste fiscal pretendido pelo governo. Para ela, os produtores rurais devem ficar tranquilos. “Eu não vejo nenhuma ação do governo que possa fazer redução justamente no setor que dá mais resultados ao país. Não vejo nenhuma preocupação de redução nesses recursos. Meu recado aos produtores é de que se mantenham tranquilos. É um ano de cautela, de observação - muito mais do mercado do que do Joaquim Levy [ministro da Fazenda]. Se o mundo estiver pedindo mais [produtos], tenho certeza de que o Joaquim Levy tem inteligência suficiente para investir mais no agronegócio", acrescentou.
A ministra comentou o bloqueio no Orçamento do Executivo, divulgado no dia anterior (8). “Já estávamos preparando orçamento de um dezoito avos. Não pretendia devolver dinheiro para o Tesouro, pretendia fazer uma reserva para gastarmos nas atividades fim. É apenas uma medida de gestão, nesses próximos três meses, para que o governo possa dar o resultado fiscal adequado. Não acredito que haja grandes dificuldades [em função da necessidade de cortes]", declarou a ministra, acrescentando que janeiro é tradicionalmente um mês de atividade em baixa e, em fevereiro, haverá o Carnaval. Segundo Kátia Abreu, as medidas de contingenciamento fiscal são boas para o país. “Essas medidas fiscais são boas para o Brasil e não há como serem boas para o Brasil e não serem boas para o agronegócio. Precisaremos ter um arrocho, mas, ao fim, o resultado vai ser positivo", disse.
PRODUÇÃO – A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sexta-feira (9) balanço da produção de grãos no Brasil. De acordo com os dados, o país deve produzir, na safra 2014/2015, 202,18 milhões de toneladas. O número representa aumento de 4,5% com relação à última safra. A previsão também cresceu em relação à estimativa anterior, que era 201,55 milhões de toneladas. Com relação à área plantada, houve aumento de 1,3% (de 56,98 milhões para 57,8 milhões de hectares). Este é o quarto levantamento da safra atual.
- Nós tínhamos feito uma previsão de aumento da safra que está sendo superada pela realidade - disse a ministra ao comentar os dados. Segundo ela, em razão da venda antecipada, da valorização do dólar e do aumento da produção, os produtores não foram atingidos por quedas de preços de algumas commodities. Na próxima safra, no entanto, devem ser afetados negativamente pela alta da moeda norte-americana, já que importam adubos e fertilizantes. “A valorização do dólar e o aumento da produção fizeram com que os produtores ficassem em uma situação confortável. Estão com custos [de produção] defasados. Deveremos ter um problema na próxima safra [com aumento de custos]. O PIB [Produto Interno Bruto] do agronegócio em 2015 deve ser melhor que em 2014", afirmou a ministra. Ela destacou ainda que as importações da China aumentaram. “[O país] aumentou as importações, decepcionando quem imaginava que a China teria um recuo", disse.
Colheita de grãos ainda pode crescer
De acordo com o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos, a previsão para a colheita de grãos ainda pode crescer. “A tendência do milho de segunda safra e a produtividade da soja podem fazer com que tenhamos um ano ainda melhor", disse. Kátia Abreu lembrou que, apesar da queda de preços do milho em razão do excesso de produção, o Brasil continua sendo o segundo maior exportador mundial do grão. A soja é o destaque entre as culturas do país, com aumento de 11,4% da produção, prevista para ficar em 95,9 milhões de toneladas. A Conab promoveu a pesquisa entre os dias 14 e 20 de dezembro. O trabalho é feito em parceria com agrônomos, técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de cooperativas, secretarias de Agricultura, órgãos de assistência técnica, agentes financeiros e revendedores de insumos, que fornecem as informações à estatal.
Conforme o Capital noticiou na última edição, a partir de dados da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), a produção deveria superar 200 milhões de toneladas, mesmo com as incertezas climáticas e as tendências de queda na liquidez e elevação dos juros no mercado internacional (com impacto sobre os preços das commodities). Segundo a SNA, o recorde histórico é decorrente de um “pequeno crescimento" na área plantada e “melhoria da produtividade". O presidente da SNA, Antonio Alvarenga, disse que o crescimento, mesmo em meio a adversidades, é a prova de que o agronegócio responde bem às ações do governo, como incentivos fiscais e planos específicos. “Essa será uma safra muito boa, com resultados recordes e um pouco acima do da safra no período imediatamente anterior, apesar dos problemas climáticos, principalmente. Isso se deve ao aumento da área plantada e da produtividade. E é uma prova de que o agronegócio responde bem aos estímulos do governo, que implementou um plano safra satisfatório", disse.
A ministra participará nesta terça-feira (13), às 11h, da coletiva de imprensa para a apresentação do Plano de Escoamento da Safra Agrícola 2014/2015. O encontro será realizado na sede da Secretaria de Portos e também contará com a presença do ministro da Secretaria de Portos, Edinho Araújo e do ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues. Durante a coletiva, serão divulgadas ações de todos os órgãos envolvidos a serem implementadas a partir de fevereiro próximo. (Agência Brasil)
IBGE confirma expectativa de safra recorde em 2014
As estimativas de dezembro, feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam as previsões de safra recorde em 2014 e apontam para uma produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas de 192,8 milhões de toneladas, resultado 2,4% acima da safra nacional de 2013, que foi 188,2 milhões de toneladas. Para este ano, as projeções são ainda melhores e indicam novo recorde de produção. O terceiro prognóstico da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2015 indicam uma safra de grãos de 202,9 milhões de toneladas, resultado 5,2% superior à safra de 2014. Os dados fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de dezembro, divulgado sexta-feira (9) pelo instituto, mas indicam queda de 0,9% em relação às estimativas feitas em novembro de 2014.
A produção de soja em 2015, tal como em 2014, deverá ser destaque, reflexo dos preços que, apesar de terem baixado no último ano, permanecem bastante favoráveis quando comparados a outras commodities. Mato Grosso deverá ser o maior produtor de soja do país este ano, com participação de 28,4% do total colhido, o equivalente a 27,3 milhões de toneladas. As estimativas da área a ser colhida aumentaram 6,6% em relação a 2013 (52,8 milhões), passando para 56,3 milhões de hectares, mas recuaram 0,1% em relação às estimativas de novembro.
Arroz, milho e soja, os três principais produtos desse grupo, representaram 92% da estimativa de produção e responderam por 84,9% da área a ser colhida. Em relação a 2013, houve acréscimos de 516 hectares na área plantada de arroz (0,0%) e de 2,4 milhões de hectares na área da soja (8,5%). A estimativa para a colheita do milho foi reduzida em 0,5%, para 83.399 hectares. Quanto à estimativa de produção, em relação a 2013 houve acréscimos de 3,3% para o arroz, 5,8% para a soja e diminuição de 2,2% para o milho. (Agência Brasil)


