Fotos publicadas em redes sóciais mostram ambulâncias, que deveriam estar socorrendo doentes, transportando caixões.
A aparente volúpia do prefeito Washington Reis em inaugurar o novo cemitério público, localizado às margens da Rodovia Washington Luiz, parece ter provocado um erro estratégico. O gestor não se preparou para o momento em que realizou o seu “sonho". Os mortos estão sendo transportados para o cemitério em ambulâncias.
Imagens e vídeos de sepultamentos feitos durante a noite e com ambulância; caixões saindo da ambulância e sendo transportados até a gaveta mortuária na maca, que deveria estar transportando pacientes; e caixões sendo retirados do necrotério do Hospital Dr. Moacyr do Carmo e sendo colocados em ambulância circulam pelas redes sociais provocando indignação.
Tiro no pé
Depois de várias investidas e de diversos discursos afirmando que a prefeitura daria dignidade no momento da despedida, o prefeito conseguir até o momento presentear os munícipes com constrangimentos e vergonha. Apesar das afirmações de Reis e seus subordinados, fato é que a concessionária que administra os cemitérios daquela cidade, conforme documentação apresentada ao MP, ao qual tivemos acesso, vem realizando números superiores às 120 gratuidades previstas no TAC celebrado entre a Prefeitura, a Câmara de Vereadores de Duque de Caxias, o Ministério Público e a AG-R, sem repassar nenhum custo à prefeitura.
Pobre prefeitura rica
Enquanto o funcionalismo se queixa de atrasos de salários e professores perdem benefícios, o prefeito Washington Reis constrói cemitério em uma cidade que já tem cinco campos santos. Somente o muro para o novo cemitério está orçado em mais de R$ 778 mil.
Incoerência
Enquanto os outros prefeitos buscavam meios de proteger a população, Duque de Caxias foi a última cidade a tomar medidas de isolamento em todo o estado. O município só perde para a capital em números absolutos de mortos pelo Covid-19, figura no triste primeiro lugar do ranking de mortes proporcionais e agora ocupa ambulâncias que deveriam ser usadas para salvar vidas, fazendo transportes de caixões para sepultamentos.


