As eleições na Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro só acontecerão em novembro de 2012. Porém, o tom da campanha parece ter sido definido em um jantar de confraternização que aconteceu na quinta-feira, 29, no restaurante do Clube Ginástico Português, no centro do Rio, que completará 143 anos de fundação dia 31 de outubro. Cerca de 300 advogados estiveram presentes, entre eles nomes de renomados profissionais como Alcione Barreto, Nilo Batista e Octávio Gomes. De Duque de Caxias, compareceu a vice presidente da subseção, Marta Dantas. Os discursos foram poucos, porém contundentes.
- Não podemos ficar passivos. Vivenciamos conflitos, a Ordem não vem representando os interesses do País, dos cidadãos. Agora, por exemplo, os magistrados, que não aceitam o controle externo sobre os seus atos, exigem um aumento maior que as outras categorias de trabalhadores. Isso é inaceitável - disse o criminalista Alcione Barreto, de 82 anos, um dos mais admirados e respeitados do Rio de Janeiro. “Quando falamos de “bandidos de toga", como afirmou a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, obviamente não estamos generalizando, não estamos ofendendo. Temos sim que exigir moralização, todos tem direito, mas também tem deveres", acrescentou, sob demorados aplausos.
DESCALABRO - O ex-presidente Octávio Gomes também se dirigiu aos presentes. Para ele, a atual gestão da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro é um “verdadeiro descalabro". “Hoje é uma noite histórica, os advogados bravos e gloriosos do Estado do Rio de Janeiro estão se reunindo numa demonstração de que não estão de acordo com o rumo dessa Ordem dos Advogados, essa Ordem que infelizmente hoje está aparelhada, sucateada. E esse encontro vai ser o primeiro de muitos, porque senhores, é uma questão de sobrevivência, não apenas da democracia, mas de nossos familiares, porque não temos mais nada, não temos mais a Caixa de Assistência, a Ordem virou um partido político", disparou Gomes, que falou ainda sobre “descaso de magistrados, que levam quatro meses, cinco meses para uma petição ser juntada".
- Talvez os senhores não saibam, funcionários antigos, concursados da Ordem, antigos da CAARJ, foram demitidos e em seus lugares foram contratados terceirizados, ONGs. E por que será? Os senhores já sabem quando se contrata terceirizados e ONGs. Ex-presidentes, como Costa Neto, devem estar se retorcendo no túmulo vendo imóveis da CAARJ serem vendidos, como Botafogo, São José, De Paoli, Franklin Roosevelt, Barra da Tijuca, enfim o patrimônio dos advogados", observou Octávio, quando um dos presentes, não identificado, completou: “Em compensação o ex- interventor da CAARJ, hoje assessor do atual presidente, ganha um valor mensal considerável. Tem também o Dr Benjamim, diretor do jornal Tribuna do Advogado, que ganha valores altos para fazer o que fazia a vice-presidente, Dra. Carla Fontineli sem nenhuma remuneração. E nós, pobres mortais, ganhando R$ 1 mil, 2 mil para botar leite em casa para a família, matando um leão por dia".
Depois de seu discurso, em conversa com a reportagem do Capital, Octávio Gomes reafirmou sua posição diante da atual gestão da Entidade no Estado, presidida por Wadih Damous. “Os atuais dirigentes estão dilapidando o nosso patrimônio, estão desrespeitam as nossas principais bandeiras e atuando de maneira como se a entidade fosse apenas deles. Não representam os interesses da sociedade, são corporativistas e instrumentalizaram a entidade como se um partido político fosse Só defendem interesses pessoais e se distanciam cada vez mais da sociedade.
- Temos perto de nós colegas que foram enganados pela atual gestão, estão aqui, indignados com tudo isso. A categoria está unida exigindo um basta, de forma a resgatar o legítimo papel da entidade em defesa dos advogados e de suas famílias. Os advogados vão continuar lutando, como sempre fizeram em toda a história da Ordem. Vão fazer oposição ao atual presidente e vão vencer as eleições que se avizinha. Tremei, tremei todos vós, porque quem vos fala são os bravos e gloriosos advogados do Estado do Rio de Janeiro", concluiu Gomes.
O advogado e ex-governador Nilo Batista não chegou a falar. Devido a um compromisso de última hora, teve que se retirar do encontro logo após saudar os presentes.


