Lula reage a relatório dos EUA contra o Pix e cobra explicações de Donald Trump
- jun 03, 2026
Em evento em Goiás, presidente defendeu o sistema de pagamentos brasileiro, criticou ameaça de taxação americana e afirmou que o país não é 'republiqueta de banana'.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom nesta terça-feira (2) contra a ofensiva do governo dos Estados Unidos ao Pix brasileiro. Em discurso durante evento em Catalão (GO), Lula defendeu a tecnologia nacional de pagamentos instantâneos, argumentando que o sistema é mais vantajoso que os serviços prestados por multinacionais americanas de cartões e pagamentos eletrônicos. Com firmeza, o mandatário disparou que o Brasil não aceita ser tratado como “uma republiqueta de banana”.
A reação ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) publicar, na noite de segunda-feira (1º), um relatório atacando o sistema criado pelo Banco Central do Brasil. O órgão americano alega que o Pix prejudica “injustamente” corporações como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay. Operando sob uma infraestrutura pública e gratuita, a ferramenta brasileira já movimenta um volume de recursos superior ao das bandeiras tradicionais de crédito.
"O Pix assusta eles", afirma o presidente
Durante a agenda no interior goiano, Lula revelou que sugeriu formalmente ao presidente norte-americano, Donald Trump, a adoção do sistema nos Estados Unidos, ironizando o temor das grandes operadoras de crédito com o sucesso da tecnologia brasileira.
“O Pix assusta eles. A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e tá resolvido o nosso problema.”
O relatório do USTR é o desfecho de uma investigação de um ano iniciada pela gestão de Donald Trump sobre supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio bilateral. Entre as "medidas corretivas" sugeridas pelo órgão de Washington, está a imposição de uma taxação de 25% sobre uma parcela dos produtos exportados pelo Brasil.
O cronograma agora abre prazo até o dia 15 de julho para que o governo brasileiro e as empresas que venham a ser afetadas apresentem suas manifestações oficiais sobre as conclusões da USTR, data a partir da qual os EUA poderão efetivamente acionar as sanções comerciais.
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Cobrança direta a Trump por quebra de prazo
Para o presidente brasileiro, a publicação do relatório atropelou as tratativas diplomáticas de alto nível em curso. Lula relembrou o encontro bilateral que teve com Donald Trump na Casa Branca em maio, quando ambos haviam pactuado um prazo de 30 dias para que os respectivos ministérios chegassem a um consenso sobre o contencioso comercial.
Naquela reunião, a comitiva brasileira entregou dados que comprovam o histórico amplamente favorável aos norte-americanos no comércio entre os dois países. Nos últimos 15 anos, o superávit comercial acumulado pelos Estados Unidos em relação ao Brasil atingiu a cifra de US$ 415 bilhões.
Diante do anúncio da USTR, Lula mandou um recado direto ao colega americano, cobrando uma ligação telefônica para justificar as novas sanções tarifárias.
“Você me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque nós demos 30 dias para os nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência.” (com informações da Agência Brasil)



