Alerj aprova projeto que usa paixão pelo futebol para impulsionar doação de sangue
- jun 16, 2026
Programa "Torcedor Sangue Bom" quer transformar rivalidade de torcidas em solidariedade; Estado do Rio oferece série de benefícios legais para doadores regulares.
Em ritmo de Copa do Mundo, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou recentemente o Projeto de Lei 2.707/23, que cria o programa “Torcedor Sangue Bom”. A proposta busca canalizar a paixão do futebol e a rivalidade esportiva para uma competição solidária, incentivando torcedores comuns e torcidas organizadas a abastecerem os estoques dos hemocentros fluminenses. A norma agora aguarda a sanção ou veto do Poder Executivo.
O tema ganhou visibilidade neste domingo, 14 de junho, data em que se celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue.
“A Assembleia tem buscado criar mecanismos que estimulem a doação regular de sangue e reconheçam a importância dos doadores. Além de aprovar leis que garantem direitos e benefícios, queremos fortalecer a conscientização da população sobre a necessidade permanente de manter os estoques abastecidos,” enfatizou o deputado Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj.
Como parte das ações contínuas, a Alerj planeja para agosto uma nova campanha de coleta em parceria com o Hemorio. Realizada há três anos consecutivos na sede do Parlamento (Edifício Lúcio Costa), a última edição da campanha arrecadou cerca de 50 bolsas de sangue, volume capaz de salvar mais de 190 vidas.
O doador frequente Gustavo Natario, de 32 anos, participou da última mobilização na galeria da Alerj por uma motivação pessoal. "O clichê de que doar sangue salva vidas é muito verdadeiro, e eu já vi isso de perto. Tenho amigos e familiares que precisaram dos bancos de sangue. Um primo meu teve câncer e dependeu dessas doações", relatou.
Foto: Thiago Lontra/Alerj |
Legislação fluminense garante direitos e incentivos
Para além do gesto solidário, os cidadãos que possuem o Certificado de Doador Regular — emitido pelo hemocentro responsável pelo cadastro — têm acesso a uma série de benefícios assegurados por leis estaduais aprovadas pela Alerj:
- Folga no serviço público: A Lei 7.892/18 garante um dia de folga anual para servidores públicos estaduais que realizarem ao menos duas doações no ano.
- Isenção em concursos: A Lei 8.920/20 prevê a isenção da taxa de inscrição em concursos públicos promovidos pelo Estado do Rio para doadores regulares.
- Atendimento prioritário: Legislações recentes asseguram maior agilidade e prioridade em diversos serviços e estabelecimentos.
- Transporte gratuito: A Lei 10.527/24 prevê a gratuidade no transporte intermunicipal nos dias especificamente destinados à doação de sangue e de medula óssea.
Adicionalmente, concessionárias de serviços públicos e operadoras de planos de saúde são autorizadas a veicular mensagens de incentivo à doação em suas faturas e canais de atendimento para expandir a conscientização.
O psicólogo Nelson Antonio Linhares avalia positivamente a estratégia de usar o esporte na saúde pública. “A doação de sangue envolve empatia e responsabilidade social. Iniciativas que utilizam o esporte como ferramenta de mobilização são importantes porque transformam um sentimento coletivo como a paixão por um time em uma ação concreta capaz de salvar vidas. É uma forma de mostrar que a solidariedade também pode ser contagiante“, detalhou.
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Panorama dos estoques no Rio de Janeiro
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Estado do Rio de Janeiro coleta, historicamente, entre 150 mil e 160 mil bolsas de sangue por ano. A Região Metropolitana concentra a maior fatia do volume total, com 66% das doações, seguida pelas regiões Norte Fluminense e Médio Paraíba.
Especialistas alertam, contudo, que a demanda é ininterrupta. Os hemocentros necessitam de renovação diária para dar suporte a cirurgias de grande porte, tratamentos oncológicos, transplantes de órgãos e atendimentos de emergência.
Quem pode doar sangue?
Para se candidatar ao programa "Torcedor Sangue Bom" ou realizar doações regulares, é necessário cumprir os seguintes requisitos:
- Idade: Entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos precisam de autorização formal dos pais ou responsáveis).
- Peso: Mínimo de 50 quilos.
- Saúde: Estar em boas condições gerais e passar pela triagem clínica no local.
- Documentação: Apresentar documento oficial de identidade com foto.
- Frequência: Homens podem doar até 4 vezes ao ano (intervalo mínimo de 2 meses); mulheres podem doar até 3 vezes ao ano (intervalo mínimo de 3 meses).




