Cooperativas de crédito fazem história e superam R$ 1 trilhão em ativos totais
- jul 04, 2026
Dados oficiais do Banco Central revelam que o setor cresceu 17% em 2025, atingindo mais de 21 milhões de associados e expandindo sua presença por quase 60% dos municípios do país
O Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) alcançou uma marca histórica no mercado financeiro nacional. Pela primeira vez, as cooperativas de crédito ultrapassaram a barreira de R$ 1 trilhão em ativos totais. Os dados oficiais constam no Panorama do SNCC, relatório anual divulgado pelo Banco Central (BC) que consolida o forte ritmo de expansão desse modelo de negócio no país.
Ao final do ano de 2025, os ativos totais do segmento somavam exatamente R$ 1,036 trilhão, o que representa uma expressiva alta de 17% em relação ao balanço do ano anterior. O levantamento da autoridade monetária aponta que o resultado foi fruto de um crescimento sustentado das operações de crédito, de uma maior capacidade de captação de recursos e da ampliação contínua da presença física e digital das cooperativas nas cinco regiões do Brasil.
Operações de crédito e o agronegócio impulsionam o setor
De acordo com o mapeamento divulgado pelo Banco Central, o avanço histórico foi impulsionado majoritariamente pelas operações de crédito, que seguem firmes como o principal componente dos ativos das instituições cooperativas.
O setor registrou um salto significativo em suas captações totais, que alcançaram a cifra de R$ 834,4 bilhões — um crescimento anual de 17,6%. Esse desempenho positivo na captação foi favorecido por dois pilares principais:
- O aumento constante dos depósitos a prazo por parte dos associados;
- O sucesso nas emissões de títulos privados, com destaque especial para a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).
Os repasses estratégicos de recursos também exerceram forte influência no fechamento do balanço positivo, impulsionados sobretudo pelos financiamentos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo a análise do BC, esse ecossistema financeiro robusto reforçou diretamente a capacidade das cooperativas de financiar operações voltadas a micro, pequenas e médias empresas, além de dar suporte robusto ao setor agroindustrial brasileiro.
Expansão territorial e mais de 21 milhões de cooperados
A relevância social e geográfica do SNCC também ganhou novos contornos. O sistema expandiu sua atuação capilarizada e passou a atender de forma direta 59% dos municípios brasileiros.
Paralelamente, a base total de cooperados registrou uma evolução expressiva, atingindo a marca de 21,2 milhões de associados espalhados pelo país. A divisão desse contingente revela o perfil de penetração do modelo:
- Pessoas Físicas: 17,8 milhões de cidadãos integrados;
- Pessoas Jurídicas: 3,4 milhões de empresas associadas.
Com essa tração, o percentual da população brasileira vinculada formalmente a cooperativas de crédito avançou em todas as regiões geográficas, alcançando uma fatia de 8,4% dos habitantes do país ao término do período analisado.
Setor cresce acima da média dos bancos tradicionais
Um dos pontos de maior destaque no relatório do Banco Central reside na comparação de desempenho com o restante do mercado. A carteira de crédito das cooperativas expandiu 13,1% no ano, um ritmo de crescimento substancialmente superior à média do restante do Sistema Financeiro Nacional, que fechou o mesmo período com expansão de 8,5%.
Com essa vantagem competitiva, o cooperativismo ampliou sua participação de mercado (market share), com foco especial em linhas de crédito voltadas para o consumo e capital de giro de pessoas físicas e de micro, pequenos e médios empreendimentos. Na visão da autoridade monetária nacional, o fortalecimento desse segmento é altamente saudável para a economia brasileira, pois contribui de forma direta para acirrar a concorrência bancária, elevar a eficiência geral do mercado de capitais e democratizar a inclusão financeira em regiões antes desassistidas.
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Gestão de risco e consolidação do mercado
Embora o cenário seja de forte otimismo, o Panorama do SNCC também traz alertas importantes sobre a conjuntura macroeconômica. O relatório técnico apontou um aumento real no risco da carteira de crédito global do setor, um reflexo que atinge tanto as tomadas de recursos por pessoas físicas quanto por empresas.
Apesar dessa elevação nos indicadores de risco, o Banco Central garantiu que a saúde financeira das instituições está protegida. O nível de provisões (recursos guardados para cobrir calotes) permaneceu confortavelmente acima das perdas esperadas pelo mercado. Além disso, os resultados operacionais do segmento continuaram registrando saldos amplamente positivos e os índices de capitalização seguiram em patamares seguros, cumprindo todas as exigências prudenciais e regras de Basileia determinadas pelo órgão regulador.
Por fim, os dados do BC revelaram um movimento de consolidação interna: o número de cooperativas singulares em atividade caiu de 753 para 742 ao longo do período. Segundo o Banco Central, essa redução decorre de fusões estratégicas e não comprometeu em nada a expansão da rede física de atendimento ou a captação de novos clientes. (com informações da Agência Brasil)



