Registro do fotógrafo Luis Teixeira Mendes destaca a cúpula do plenário da Alerj e está entre os vencedores da edição 2026 do prêmio do IRPH
Os imponentes vitrais do Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), conquistaram um lugar de destaque na edição de 2026 do Concurso de Fotografias "Olhos de Ver – Edição Vitrais do Rio". A imagem intitulada "Céu da República", capturada pelo fotógrafo Luis Teixeira Mendes, retrata o vitral da cúpula do plenário e foi consagrada como uma das grandes vencedoras da seleção.
Promovido pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) — órgão da Prefeitura do Rio responsável pela salvaguarda e valorização do patrimônio cultural carioca —, o concurso busca lançar luz sobre os vitrais como elementos fundamentais da arquitetura e da identidade visual da cidade. O prêmio conferido à obra reforça a relevância histórica e artística do Palácio Tiradentes no cenário nacional.
O Céu da Proclamação da República na arquitetura
Muito além do apelo estético, os vitrais do Palácio Tiradentes carregam uma profunda simbologia política. Segundo o historiador Douglas Liborio, que atua na Diretoria-Geral da Alerj e pesquisa a história do edifício, a obra dialoga diretamente com a tradição das grandes construções públicas mundiais, adaptando conceitos artísticos para traduzir os ideais republicanos brasileiros.
"O vitral do plenário do Palácio Tiradentes faz parte de um conjunto chamado 'Pontos Cardeais da História do Brasil' e ocupa um lugar central na narrativa arquitetônica do edifício. Historicamente, os grandes vitrais estavam presentes, principalmente, em construções religiosas. Nos parlamentos e demais prédios de poder, essa tradição foi adaptada para representar a história política e os valores republicanos. No caso do Palácio Tiradentes, o vitral tem como principal temática o céu do Rio de Janeiro na manhã de 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República. Essa representação inspirou o céu retratado na bandeira nacional e simboliza os ideais republicanos que orientam a construção do prédio. O Palácio Tiradentes foi o primeiro edifício concebido especificamente para sediar um Parlamento no Brasil, e seu plenário reúne, em um único conjunto artístico, elements que contam a história da República e reforçam a importância da democracia e da representação política."
Leia também: Adjori-RJ participa de encontro nacional da imprensa regional em Santa Catarina
Leia também: Marcelo Dino fiscaliza efeitos da taxa de turismo e aponta esvaziamento na Ilha Grande
Leia também: Marcelo Dino acompanha fiscalização e ouve moradores de Arraial do Cabo ameaçados de perder as moradias
Bastidores do registro premiado
Para conseguir capturar a grandiosidade e a complexidade do vitral que coroa o plenário, o fotógrafo Luis Teixeira Mendes precisou adotar uma abordagem técnica e uma perspectiva visual pouco convencionais. Ao comentar a premiação, ele revelou que o Palácio Tiradentes foi sua inspiração imediata assim que o tema do concurso deste ano foi anunciado.
"Para fazer essa fotografia, deitei no chão do plenário e inclinei levemente a câmera, buscando criar uma perspectiva quase tridimensional da obra. Fico muito feliz em ver esse olhar reconhecido. É sempre uma satisfação ter um trabalho selecionado, e esse reconhecimento tem um significado especial por vir de um órgão que atua na preservação e valorização do patrimônio cultural da cidade. Além disso, na edição anterior do concurso, dedicada ao tema 'Portas e Janelas', outra fotografia minha do Palácio Tiradentes também foi escolhida", celebrou o fotógrafo.
O concurso do IRPH reafirma que os vitrais, presentes em igrejas, prédios públicos e residências históricas do Rio de Janeiro, funcionam como verdadeiras obras de arte moldadas pela luz e pelo vidro, preservando valores sociais e culturais de diferentes períodos da história fluminense.



