Os funcionários da educação de Duque de Caxias, em assembléia realizada na manhã desta segunda-feira (29) na Praça Benzo de Cavour, em Jardim Primavera, em frente à sede da Prefeitura, decidiram entrar em greve a partir de quinta-feira (2). A manifestação e a assembléia foram acompanhadas por homens da guarda municipal e policiais que chegaram em uma patrulha da Polícia Militar, enviada ao local. A categoria, que culpou a prefeitura pela greve por não acenar com nenhuma proposta de negociação, reivindica reajuste salarial, incorporação do Fundeb, concurso público já, obras de recuperação nas escolas, material didático e água em todas as unidades da rede pública municipal.
Por volta das 10h, já era grande a movimentação dos profissionais de educação em frente à Prefeitura, onde se concentravam mais de 500 pessoas. Os guardas municipais de serviço no local disseram que não podiam falar com a imprensa e que, “por ordens superiores, ninguém podia entrar a partir daquele momento", sendo, assim, fechados os portões.
Segundo Carla de Andrade Couto, coordenadora geral do Sepe-Sindicato Estadual dos Professores (Núcleo Duque de Caxias), o Secretário de Governo Luiz Fernando Silva Couto chegou a receber uma comissão do Sindicato e dos professores mas não apresentou nenhuma proposta às reivindicações. “Além disso, não viabilizou um encontro com o prefeito Alexandre Cardoso, o que estamos tentando há cerca de um mês, sem sucesso. O secretário comprometeu-se apenas em nos ligar na próxima semana para tentar arranjar uma data, o que não foi suficiente para a categoria", disse Carla ao Capital. Ainda segundo a líder sindical, a prefeitura não garantiu suprir a falta de material nas unidades escolares, “material este que está sendo comprado com dinheiro do próprio bolso dos professores".
Os profissionais de educação farão um ato público na próxima sexta-feira (3) na Praça Governador Roberto Silveira, a partir das 9h. Uma nova assembléia está marcada para o dia 6, a partir 13h, no Clube dos Quinhentos, no bairro 25 de Agosto. Até lá, as escolas e creches da rede pública municipal ficarão fechadas.
Categoria diz que prefeito não cumpre promessas

Outras lideranças dos profissionais de educação do município lembraram que o prefeito Alexandre Cardoso “está atropelando" compromissos que assumiu com a categoria em setembro do ano passado, entre eles concurso público urgente para professores e funcionários, garantia de material didático e uniforme escolar, incorporação do Fundeb ao vencimento, eleição direta para diretores de unidades da rede municipal, aprovação do Plano Municipal de Educação e ampliação, construção e reforma das escolas. A categoria vem distribuindo à população cópia da “Carta Compromisso", de 19 de setembro de 2012 e que recebeu a assinatura de Alexandre Cardoso. “Está na hora do prefeito honrar os compromissos assumidos com os profissionais da educação durante a campanha eleitoral", cobraram os profissionais de educação durante a assembléia.
- Além de não acenar com qualquer proposta para os servidores, o governo municipal desativou o serviço de saúde do IPMDC - denunciaram os sindicalistas. E mais: segundo eles, o prefeito foi além, desafiando a categoria ao iniciar a contratação de professores sem concurso público. “A prefeitura divulgou edital para a contratação de professores sem concurso, o que somos contra por várias razões - disse a Coordenadora. “Os contratados tornam-se trabalhadores de segunda categoria, por não serem atendidos em vários direitos, e ainda os submetem à indicações políticas. Além disso, a contratação temporária fere a Constituição Federal, que determina realização de concurso público para acesso a cargos públicos".
APOIO - O Sepe-Duque de Caxias recebeu uma “nota de apoio" da diretoria da Associação dos Servidores do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Assines), postada na página social da entidade, onde alinha “uma série de questões ainda distantes de soluções, como escolas sem água, sem infraestrutura mínima, carência de material didático e ausência de eleição para diretores". Finaliza manifestando “irrestritos apoio e solidariedade ao movimento que vem sendo construído pelos profissionais da educação de Duque de Caxias contra a política de contratação, a qual contribui para a precarização da educação, prejudica o trabalho pedagógico e descumpre a constituição brasileira, dentre outros".


