O acesso à cultura está muito distante da realidade de professores e alunos no Brasil. Essa é uma das conclusões da pesquisa feita pelo ministério da Cultura junto com a Casa da Arte de Educar, entidade criada para desenvolver atividades com educadores e profissionais de educação das favelas para educação integral, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e pesquisas em educação. O trabalho resultou em relatório do Plano Articulado para Cultura e Educação, em parceria com o MEC e o Instituto Lidas e está disponível no site www.artedeeducar.org.br/blog/2013/09/30/relatorio-2013-pesquisa-a.
O estudo mostra, ainda, que as escolas e outros equipamentos culturais precisam de apoio técnico e financeiro para integrar um sistema de educação mais completo. A pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora da pesquisa, Sueli de Lima, disse que a falta de apoio constante ainda provoca fragilidade nas escolas, apesar das muitas experiências de diálogo entre elas e os agentes de cultura. Para a especialista, a pesquisa revela que as práticas de programas culturais são muito instáveis. “Não há condições de se efetivarem. As escolas não conseguem contar com museus, bibliotecas, organizações sociais e iniciativas diversas como suas parceiras, porque ora tem apoio ora não tem. Então a escola ano após ano de trabalho precisa ter diálogo efetivo", ressaltou.
Na avaliação de Sueli de Lima, existe, atualmente, no Brasil, uma rede escolar e o Ministério da Educação (MEC) funciona com as escolas e com as universidades. Ela pondera, no entanto, que é preciso pensar que educação não é só entre escola e universidade, existem os museus, as bibliotecas e as organizações sociais que também são entidades educativas que têm experiências significativas no país. “A principal questão que a pesquisa traz é que essas práticas são frágeis, precisam de políticas públicas para realmente se efetivar e a gente possa pensar em um sistema articulado de educação onde não se está falando apenas em escola", analisou.
A pesquisadora destacou ainda que há professores que atuam nas escolas, em aulas de matérias específicas, e muitas vezes não percebem que são agentes de cultura, quando na verdade deveriam encarar o desafio de articular o saber universal com o individual de cada aluno. “Nós, professores, temos o desafio de construir esse diálogo e compreendermos a cultura com a qual estamos trabalhando seja onde for, no agreste, no centro urbano. As diferenças de cultura existem, mas todos nós temos experiências de cultura. O desafio é conduzir os professores a pensar que a cultura não é só produto de cultura e nem, muito menos, só o currículo que ele tem que ensinar", acrescentou.
Para fazer a pesquisa, o MinC ouviu 1.664 pessoas envolvidas com educação, em 26 estados. Os encontros reuniram, além de professores, representantes de museus, de bibliotecas, de pontos de cultura, educadores, estudantes, artistas e lideranças comunitárias. A intenção foi apurar as condições em que se desenvolvem as práticas educativas nas escolas, em museus, nas organizações não governamentais e nas bibliotecas, entre outros locais educativos, com o objetivo de definir propostas para orientar as políticas da cultura ligadas à educação.
Na Baixada Fluminense, embora vizinha à antiga Capital federal e um dos mais importantes polos econômicos do País, a situação não é diferente. A história recente da região demonstra o descaso em relação à palavra Cultura. A Feuduc, criada para formar professores de ensino médio, tinha um excelente Instituto de História da Baixada, que foi extinto em meio à disputa entre a direção da instituição e os professores que faziam e fazem pesquisa sobre a História da Baixada. Afinal os livros sobre História do Brasil são produzidos por professores de outras regiões, que não avaliam a importância desse pedaço do RJ na construção do País. Outro exemplo de divórcio entre Educação e Cultura foi a decisão da Prefeitura de São João de Meriti de despejar o Instituto de Pesquisas e Análises Históricas da Baixada Fluminense (Ipahb) no final de 2010. O Ipahb estava instalado no Complexo Kenedi Jaime de Souza Freitas. A ordem para deixarem o lugar partiu da Secretaria de Esporte, Cultura e Lazer. O Ipahb é referência na região para estudos da história da Baixada e hoje funciona em Nilópolis, em espaço cedido pela prefeitura local.


