A manutenção dos juros básicos da economia em 11% ao ano foi uma decisão acertada do Banco Central, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em nota, a entidade informou que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) ajudará a aliviar as pressões sobre setor produtivo. A entidade defendeu a ampliação dos cortes fiscais para conter a inflação. Reunido no último dia 28, o Comitê de Política Monetária (Copom), por unanimidade, manteve a taxa Selic - juros básicos da economia - em 11% ao ano.
Segundo a confederação, o ciclo de alta dos juros, que começou em abril do ano passado e só terminou hoje, foi insuficiente para diminuir a inflação. “O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses está em 6,28% e deve continuar próximo de 6,5%, teto da meta estabelecida pelo governo", relembrou a nota. Para trazer a inflação para o centro da meta estabelecida pelo governo, de 4,5%, a CNI defendeu o corte de gastos públicos para diminuir a demanda sem comprometer a indústria e o consumo. “O término do ciclo de alta dos juros é necessário para evitar que o custo da redução da inflação recaia preponderantemente sobre o setor produtivo", destacou o comunicado.
As taxas de juros não devem seguir em ritmo de aumento, como observado nos últimos meses, de acordo com a avaliação do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel. Essa expectativa é devido à interrupção do ciclo de alta da taxa básica Selic, que serve de referência para os juros cobrados pelos bancos. “Sempre que tem uma mudança no ciclo, tem reação nas taxas ativas. As vezes não exatamente no mesmo momento. A tendência é que essa elevação das taxas de juros no ritmo que foi observado nos últimos 12 ou 13 meses não se mantenha", disse Maciel.
CRÍTICAS - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 11% ao ano. "A manutenção da taxa de juros em patamar tão elevado diante de uma economia em desaceleração e um crescimento anêmico mostra como a política monetária está descolada da realidade do Brasil", ressaltou a nota assinada pelo presidente da federação, Paulo Skaf. Apesar de também se posicionar contra os juros elevados, a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) disse em comunicado que “comemora o fato de não haver nova elevação". E acrescentou: “O controle da inflação é importante, mas a manutenção de um patamar de juros mais civilizado é uma necessidade para que se consiga retomar a eficiência dos setores produtivos".
A Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) avaliou que o Banco Central “deixou escapar uma boa oportunidade" para estimular o crédito, o emprego e a distribuição de renda. “As altas taxas da Selic para controlar a inflação só têm beneficiado os bancos, os rentistas e grandes especuladores financeiros. É preciso aproveitar esse momento, em que o Copom pelo menos interrompe a elevação da taxa, para fazer um debate público sobre a utilização desse instrumento de política monetária como única medida de controle de preços no país", defendeu o presidente da confederação, Carlos Cordeiro.
Em uma linha parecida, a Força Sindical também criticou a manutenção dos juros. “Essa nefasta medida, que mantém a taxa de juros em patamares proibitivos, prejudica a classe trabalhadora. Fica evidente a opção da equipe econômica do atual governo de continuar privilegiando os especuladores, deixando em segundo plano a produção e a geração de empregos", destacou o presidente da central sindical, Miguel Torres. (Agência Brasil)


