O tradicional abraço apertado para encarnar os personagens e os atores da companhia artística Palhaços com Sol Sem Dó estão prontos para se apresentarem em um palco especial, o hospital Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo. Por onde passam atraem os olhares curiosos, além de não faltarem os pedidos de fotos, que se multiplicam pelos corredores. O ambiente da unidade de saúde fica mais leve e o ar sério das pessoas dá lugar a sorrisos e gargalhadas. Nos quartos, a alegria contagia e transforma os pacientes que esquecem, mesmo que apenas por alguns minutos, que estão internados.
As visitas dos atores acontecem quinzenalmente e duram em média 1h30, sendo sempre acompanhadas por uma assistente social. Durante esse tempo, aproximadamente 30 pacientes chegam a assistir as apresentações. Entre os profissionais de saúde que trabalham na unidade todos são unânimes ao afirmar que a atividade traz bons resultados. “Muitos pacientes convivem com a tristeza, angústia, depressão ou estão com algum problema. Esse trabalho favorece muito a recuperação, a melhora e a autoestima não só deles, mas também dos profissionais que trabalham aqui", afirmou a coordenadora do Serviço Social do HMMRC, Elisângela Torres.
Na última terça-feira (11), o grupo de palhaços, formado por Jessé Cabral, Diogo Olissil e Letícia Lisboa, voltou a animar os pacientes, acompanhantes e os profissionais que ali trabalham. A semente do projeto “Eu Vim te Ver" foi plantada em 2009, quando o coordenador Jessé Cabral realizou pela primeira vez uma apresentação solo no CTI de um hospital particular. A partir daí formou um coletivo de atores e atrizes e passou a fazer pesquisas nessa área por conta própria. Em 2010 surgiu a oportunidade de levar o trabalho para os pacientes do hospital municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo e deu certo. Passou a intercalar as apresentações entre a rede pública e particular.
- Nos hospitais particulares alguns pacientes acreditavam que por pagarem um plano de saúde caro, tinham direito a essas apresentações ou tinham receio que fosse cobrada alguma taxa. Diferente da rede pública, onde sentimos uma melhor aceitação e percebemos resultados mais concretos - explicou Jessé. O projeto, que é sustentado através de trabalhos externos dos integrantes do grupo, trouxe reconhecimento e possibilitou um contato direto com profissionais de outros estados e países, levando a companhia a ser a única do Rio de Janeiro com representantes no 2º Encontro Nacional de Palhaços que atuam em Hospitais, realizado em São Paulo. A ideia agora é expandi-lo em 2015, através de oficinas que consigam atingir um público cada vez maior.
O grupo de artistas entende que a emoção faz parte do trabalho, mas toma cuidado para não se tornarem invasivos. Por isso, seguem o lema da honestidade. Para eles, o palhaço técnico profissional não consegue exercer um trabalho se não for honesto com os próprios sentimentos. Sem um psicólogo no grupo, procuram se ajudar através de conversas, bate-papos e desabafos entre eles. “Aqui dentro a pessoa deixa de ser pai, de ter uma profissão para tornar-se apenas um paciente. O nosso principal objetivo é fazer com que as pessoas internadas nos hospitais, tanto públicos quanto particulares, sintam-se vivas e competente. Enfim, um ser social", afirmou Jessé.


