Como colônia de Portugal, o Brasil era um adolescente político, que precisava de um Tutor, para a Coroa portuguesa. E ela cobrava caro por sua tutoria. De tudo que era exportado para Portugal, os colonos brasileiros pagavam o equivalente a 20%, ou um quinto do valor exportado, fosse açúcar, ouro, prata ou pedras preciosas. Como adolescente político, não tinha o Brasil o direito de negociar diretamente com as demais nações, principalmente Inglaterra e América do Norte, que se livrou da Espanha para cair no colo da Grã Bretanha, império onde o sol nunca se punha, como gostavam de dizer os nobres ingleses, pois as colônias iam do Atlântico ao Pacífico, passando pela Europa, Ásia, África e Oceania.
No final do século XVIII, o Brasil sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos determinados pela Coroa portuguesa, como a proibição do funcionamento de qualquer tipo de industria no Brasil, que era obrigado a importar tudo da Metrópole. Além disso, Portugal havia decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento industrial e comercial do Brasil. No ano de 1785, por exemplo, Portugal proibiu o funcionamento de industrias fabris em território brasileiro. Hoje, grandes empresas nacionais estão instalando plantas industriais na China, Taiwan, Índia e Coréia do Sul para produzir lá o que antes era feito aqui, como escovas de dente, tênis, sapatos, roupas, aparelhos de TV, telefones, liquidificadores, numa programada desindustrialização do País.
Naquela época, quem encontrasse ouro devia pagar o quinto, ou seja, 20% de todo o minério encontrado no Brasil acabava nos cofres de Lisboa. Quem fosse pego com ouro “ilegal" (sem ter pagado o imposto) sofria duras penas, podendo até ser degredado (enviado a força para a África). Com exploração intensiva, a produção de ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim as autoridades portuguesas não diminuíam a cobrança. Por isso, Portugal criou a Derrama, isto é, foi instituído um imposto fixo por área. O dono dessa área deveria pagar 100 arrobas (1,5 mi kg) de ouro por ano, independente da sua produção. E os soldados portugueses, tal como hoje ocorre com os auditores da Receita Federal, tinham autorização da Coroa para invadir casas e fazendas e apreenderem os pertences da família para completar a sua “cota".
Foi a fúria tributária da Metrópole que forneceu os elementos que uniram pessoas de diversos níveis sociais e econômicos na chamada Inconfidência Mineira, liderada pelo alferes José Joaquim da Silva Xavier, um dos soldados encarregados pela rainha D. Maria I, conhecida como “A louca", para patrulhar o transporte de metais e pedras preciosas de Vila Rica até o porto do Pilar, onde eram embarcados em pequenos barcos em direção ao porto da atual Praça XV de Novembro, de onde seguiam para Lisboa. Assim, a “Derrama" uniu colonos brasileiros de diversas classes sociais, que começaram a discutir a Independência do Brasil para se livrar da exploração tributária por parte da Coroa portuguesa.
Hoje, independente e republicano, o Brasil não mudou a maneira ver o cidadão como simples fornecedor dos recursos que irão ser gastos pela “Coroa" de Brasília. A carga tributária do País se aproxima dos 50% do PIB-Produto Interno Bruto, o que significa que, atualmente, o brasileiro entrega metade da riqueza que consegue produzir - como simples bóia fria, ou grande empresário - para a nobreza encastelada em Ministérios, Governos Estaduais e Prefeituras, que utilizam esses recursos para sua própria fruição, como viagens a Paris ou Nova York, compra de panetones e de carros de alto luxo para modestos vereadores do Rio de Janeiro ou para a Polícia Militar do Ceará, ou, simplesmente, desviam o dinheiro público destinado à saúde, como em Campinas, para suas contas pessoais em paraísos fiscais, como Ilhas Virgens, Nassau, Monte Carlo, Genebra e outros mais.
Está na hora de descobrirmos um novo Tiradentes, que não tenha medo de expor o próprio pescoço para acabar com a nova ‘Derrama’, agora comandada pela aristocracia que domina Brasília e o resto do País. Quem se habilita a ser um Herói em pleno Século XXI?


