- A FEUDUC - Fundação Educacional Duque de Caxias é bem maior do que modestamente aparenta ser. Ela não se contém apenas em seu espaço físico. Ela não é apenas paredes, salas de aula e não se resume em ações eventuais. Ela é o conjunto de todos os que por aqui estiveram: alunos, professores, funcionários e instituidores que orgulhosamente a apresentam e a representam em todos os lugares por onde vivem e atuam. Fazê-la seguir em frente é uma tarefa da qual nos orgulhamos e para qual convocamos todos aqueles que amam nossa cidade e nossa região a se somar. Acreditamos que só assim, em parceria e solidariedade, nos dias, meses e anos que de certo virão ela se tornará a potência universitária que desejamos que seja para o benefício de nossa cidade e nossa região - diz o professor Antonio Augusto Braz, 51 anos.
Nascido e criado no bairro Dr. Laureano, ele é professor da rede municipal, membro da direção do Museu Vivo do São Bento e mestre em História Social, atualmente é o seu Diretor Acadêmico. “Venho de família humilde, filho de Seu Manoel e Dona Nadyr, marido de Laudicea e pai de Isadora, ambas cirurgiãs dentistas. Trabalhei em fábricas, bares e lojas. Hoje tenho uma sólida carreira como educador, pesquisador e autor. Devo tudo isso a FEUDUC".
Ele conta que sua relação com a Fundação é antiga. “Fui seu aluno em 1983. Cursei a antiga habilitação de Estudos Sociais e uma complementação em História nos anos de 1988 e 1989. Ali cursei também minha primeira Pós-Graduação, em História Social do Brasil. Ainda em 1990, por indicação do grande amigo e professor Antônio Jorge Matos e aprovação da diretora Iris Poubel de Menezes Ferrari, dois grandes educadores a quem devo boa parte de minha formação, fui contratado como professor assistente do Departamento de História. Daí, segui carreira na Instituição, como professor titular de Teoria da História, Coordenador de Departamento de Graduação e, logo depois de Pós-Graduação. Finalmente em 2007 tornei-me vice-diretor. Em 2008 fui afastado, junto com diversos companheiros por discordarmos dos rumos que a FEUDUC estava tomando naquele momento e por propormos junto aos alunos, professores e alguns instituidores a alternativa de sua municipalização – lembra.
A FEUDUC, fundação privada, foi criada em 1969 e teve sua Faculdade credenciada em 1972. “No ano de sua criação, os homens e mulheres abnegados propunham a criação de uma Faculdade de Medicina. Isso não foi possível e a solução foi propor uma Faculdade voltada para a formação do Magistério, o que foi obtida três anos depois. Essa nova orientação se mostraria providencial para a região. Ao longo dessas décadas a FEUDUC se incumbiu de formar os quadros do Magistério que a partir daí passaram a atuar na cidade e na Baixada Fluminense. Desde então quase 15 mil profissionais, graduados e pós-graduados, formaram-se. Só muito recentemente, outras instituições se somaram a essa tarefa estratégica. Costumo dizer que se entrarmos em qualquer escola, pública ou privada, de qualquer dos treze municípios da Baixada Fluminense, encontraremos pelo menos um professor formado na FEUDUC. Costumo afirmar também, que nós todos que estudamos na região tivemos, em algum momento ao longo de nossa formação educacional, um ou mais de um professor formado na Instituição.
A verdade é que a FEUDUC cumpriu e ainda cumpre um papel fundamental, o de formar quadros, oriundos dos segmentos sociais mais humildes, da classe trabalhadora, para o Magistério. E essa formação tem sido conduzida com qualidade e com constância. Construir o caminho pela via da Educação para que tantos trabalhadores atingissem a condição de professores e pesquisadores renomados não é fruto apenas do acaso. Competências e paixões somaram-se para que realizássemos essas façanhas ao longo de tantos anos. Nomes como os de Moacyr do Carmo, Antonio Ticom, Iris Poubel, Edson Sendin, Antonio Jorge, Geraldo Areas, Galba Saturnino, Vilmar Bastos, Álvaro Lopes, Marlúcia Santos, Alexandre Marques, Antonio Elias, Neymar Brígido e tantos outros dedicaram suas vidas à instituição conduzindo-a a importante posição que desfruta hoje", afirma.
E acrescenta: “No entanto, sempre acreditei, que nossa cidade nunca tenha dado a FEUDUC o destaque e atenção que merece. Poucas são as cidades do país e do mundo que podem se orgulhar de sediar uma Instituição de Ensino Superior tão antiga e tão relevante. Mas reconheço que talvez a própria Instituição tenha optado por essa postura tímida. Uma escolha de outros tempos que a protegeu naqueles momentos iniciais, mas travou seu crescimento. Isso fez com que ela, por exemplo, apesar de suas potencialidades, não avançasse, como suas coirmãs, para o patamar de Centro Universitário e Universidade. Um caminho que foi trilhado, por exemplo, pela Unigranrio, antiga AFE, instituição bem mais nova, que hoje é a potência que todos conhecemos e que também orgulha nossa cidade".
O diretor lembrou que em 2012, ela estava mergulhada numa crise. Obedecendo todos os trâmites jurídicos exigidos pela legislação, substituiu seu quadro dirigente por novos instituidores. “Esse grupo, do qual faço parte, vem promovendo o seu processo de recuperação. Grande parte desse grupo é formada por professores ex-alunos e tenho tido a alegria de capitanear sua reestruturação. Nosso número de alunos da Graduação e da Pós-graduação retorna aos patamares anteriores, nossa estrutura física tem sido recuperada, nossas plataformas de pesquisa reativadas e o nosso Colégio de Aplicação renovado é portador de novas e ousadas propostas pedagógicas. O presidente do Conselho Diretor é o professor Conrado da Nova Rodrigues, da rede pública estadual e pesquisador da História do Município de Belford Roxo, onde reside. O presidente do Conselho Deliberativo é o professor, pedagogo e advogado Milton Trajano de Oliveira. Toda a documentação relativa a essa transição de gestão está devidamente lavrada e registrada em cartório, e se encontra de posse do Ministério Público Estadual que tem a função de acompanhar e zelar pelas Fundações no estado do Rio de Janeiro".
A FEUDUC abriga sete cursos de Graduação, que por ordem de antiguidade são: Língua Portuguesa/Literatura, Língua Portuguesa/Língua Inglesa, História, Geografia, Biologia, Matemática e Sistemas de Informação. Dispõe de diversos cursos de pós-graduação nessas áreas com destaque para o de Ciências Sociais e Religião e o de História da África. Por ser uma Instituição formadora de quadros para o magistério em ensino superior dispõe de um CAP, Colégio de Aplicação. O Colégio, dirigido pelo professor Ricardo Fonseca, também ex-aluno da FEUDUC, pratica o regime de Ensino Integral nos níveis Fundamental e Médio. “Nosso aluno chega às 7h30 e retorna às suas casas às 17h, assistindo suas aulas no turno da manhã e praticando esporte, tendo acesso a atividades culturais e reforço escolar no turno da tarde".
Além de suas atividades no campo da Educação a FEUDUC dialoga com a cidade e a região em vários aspectos. Nossa plataforma de pesquisa recém-inaugurada, a “Casa da Pesquisadora Marlúcia Santos de Souza", sob a gestão do professor e pesquisador Nielson Bezerra, conduz a retomada da FEUDUC ao seu papel de investigadora da História e da Cultura da Baixada Fluminense, onde sempre nos destacamos. Ao longo dos anos promove pesquisas profundas sobre esses temas e patrocina, junto a parceiros como a APPH-CLIO, o CRPH e a ASAMIH a publicação de livros e a realização de eventos sobre a História da Baixada e da Cidade. “Essa bibliografia, para o nosso orgulho servirá de base ao próximo concurso público municipal da cidade de Duque de Caxias e já está a disposição nas livrarias para os interessados e futuros candidatos", observa Augusto Braz. Em outra frente de pesquisa, a Casa, sob a orientação de sua equipe de coordenadores, tem aprofundado seus estudos sobre as conexões históricas entre o Brasil e a África e, no ano passado patrocinou um relevante seminário sobre o tema em diálogo com o Museu Vivo do São Bento e o Museu Nacional. Um dos belos resultados dessa parceria foi a organização da exposição “Kumbukumbu", composta de preciosas peças do acervo dos dois museus, apresentada à cidade nos meses de setembro, outubro e novembro de 2014 na Biblioteca Leonel Brizola e, que esse ano será assentada definitivamente na FEUDUC em espaço preparado para tal.
- Outro campo onde nos engajamos firmemente é o das discussões ambientais. Não poderia ser diferente visto que abrigamos cursos de Biologia, História e Geografia e também pelo fato de nosso campus, cuja área total é de 163 mil metros quadrados, está localizado no bairro do São Bento, segundo distrito de Duque de Caxias cuja área é, em sua grande parte uma APA [Área de Proteção Ambiental], muito degradada e ameaçada e que abriga um potente projeto de proteção ambiental e patrimonial, o Museu Vivo do São Bento, que ajudamos a formular. O roteiro do Museu contempla, entre outras riquezas patrimoniais ameaçadas, o engenho de açúcar mais antigo da região, a Fazenda do São Bento do Aguassú, construída entre os séculos XVII e XVIII e também o sítio arqueológico do Sambaqui do São Bento, onde se encontram fósseis humanos de aproximadamente 2 mil anos de idade. Esse importante território, assim como todos os bairros adjacentes, estão sob a bacia, área mais poluída do estado do Rio de Janeiro, vítima da ação extremamente poluidora da Reduc, e seus terrenos tem sido alvo de invasões criminosas e ocupações desordenadas sob o olhar complacente dos órgãos públicos que os deveriam proteger como o INEA e o INCRA – ilustra o professor.
E continua: “Por conta da atenção que damos a esses temas, participamos do Conselho Gestor da APA do São Bento e temos representação junto ao Conselho Municipal de Meio Ambiente e também no Conselho Municipal de Cultura. E como contribuição a preservação do bairro e em prol da luta pela melhor qualidade de vida da população da cidade e da região, estamos transformando 60 mil metros quadrados de nossa área em uma RPPN. As Reservas Particulares do Patrimônio da Natural (RPPN) são uma categoria de Unidade de Conservação particular criada em área privada, por ato voluntário do proprietário, em caráter perpétuo, instituída pelo poder público. A atual direção da FEUDUC optou, em ata, pela criação da mesma, que será a primeira no interior da Baixada Fluminense, como símbolo de seu compromisso e por considerarmos ter obrigação moral e cidadã na contribuição para preservação do que resta de flora e fauna na região e na luta pela melhor qualidade de vida de nossa população".
- Sobre o imóvel que administramos, cabe esclarecermos uma importante questão. Trata-se de gleba doada a FEUDUC em 1974 e, atualmente sob sua propriedade definitiva com R.G.I. instituído em 2007. Trata-se de uma área nobre e extensa e representa para a Instituição um ativo inestimável destinado as suas atividades fim que é o estudo, a pesquisa e a extensão universitária. Essa propriedade tem sido cobiçada de forma indevida e muitos foram os boatos a respeito de sua composição e utilização. É bom, então que fique claro a esses desinformados e ou mal intencionados que se trata de propriedade privada e, devidamente, documentada. Parte dessa área, por volta de 40 mil metros quadrados, abriga nossos prédios e espaços de uso. Outros 60 mil, como afirmamos, constituirão uma RPPN. Um outro setor, mais acessível, quase 60 mil metros quadrados, situado às margens da atual Avenida Governador Leonel de Moura Brizola, antiga Av. Presidente Kennedy, estão destinados a expansão das atividades da FEUDUC. Esse setor está sendo oferecido a parcerias com o setor público e privado para investimentos em ações contempladas pelas condições acima citadas. Algumas parcerias já têm se materializado e muitos projetos estão prontos para ser materializados ainda nesse ano. No entanto, existem várias outras possibilidades que podem e devem ser exploradas por novos parceiros que porventura desejem partilhar conosco seus projetos – diz.
- Estamos oferecendo à cidade e região nosso diálogo. A FEUDUC abrigou e abriga os trabalhadores da cidade de Duque de Caxias e da Baixada Fluminense formando-os com qualidade e permitindo com que todos avancem em seus projetos pessoais, criando, ao mesmo tempo, um projeto coletivo de Educação popular. Temos enfrentado muitos problemas e os temos superado com galhardia e denodo. Mas ao longo desses três anos de luta, tivemos que remover alguns obstáculos espinhosos, entre os quais algumas pessoas que deram início conosco a esse processo, mas ao longo do convívio inicial apresentaram comportamentos reprováveis e mal intencionados. Essas “almas pequenas e tristes", junto com algumas “viúvas", que lá estavam quando chegamos, e que não continuaram conosco por incompetência e descompromisso, tem perambulado por aí, espalhando maledicências e mentiras que alguns poucos desavisados e irresponsáveis acolhem e veiculam. Mas as vitórias que obtivemos, e estamos obtendo, impõe a verdade dos fatos. Além disso, a Justiça tem sido acionada para responsabilizar todos esses personagens, assim como seus companheiros de irresponsabilidade pelos suas ações e palavras desvairadas – observa Antonio Augusto.
- Uma das principais dessas vitórias conquistadas , que eu particularmente mais me orgulho, foi a de termos construído, um grande acordo com a Justiça do Trabalho, junto a Central de Aceleramento de Processos, que vai nos permitir realizar o pagamento de mais de 150 processos trabalhistas que herdamos. Esse acordo, que só foi possível se concretizar devido à disposição do governo municipal de regularizar o recebimento dos aluguéis atuais e atrasados da Escola Municipal Paulo Roberto que está instalada em nossas dependências e que cinco anos não recebíamos. Todo o montante será destinado, por nossa exclusiva iniciativa, já que poderíamos pleitear parte desses recursos para nosso uso cotidiano, ao pagamento desses débitos trabalhistas. Isso nos enche de orgulho. Somos trabalhadores, formamos alunos trabalhadores e nada nos dá maior alegria do que permitirmos a esses trabalhadores, muitos deles grandes amigos, profissionais competentes e responsáveis, apaixonados pela FEUDUC, de receber seus direitos inalienáveis a partir de maio corrente – acrescenta.
E conclui: “Ao longo desses anos, dialogamos com o empresariado, com o movimento popular e sindical, com os ativistas culturais, com os representantes da classe política da região e com os setores governamentais do Município, do Estado e da União. Mas nossos maiores interlocutores e apoiadores, que tem nos impulsionado, é que são nossa maior riqueza são nossos atuais alunos, professores, funcionários e, principalmente, nossos ex-alunos, atualmente profissionais da Educação completamente apaixonados pela instituição que modificou suas vidas. Para recuperarmos e potencializarmos de forma mais efetiva essa conexão afetiva e profissional estamos propondo a constituição de uma Associação de Ex-alunos da FEUDUC, onde poderemos nos rever, contribuir e influenciar os novos rumos de nossa casa de saber. Uma das decisões estratégicas que já assumimos é que a FEUDUC, nos próximos anos, se torne uma Universidade e a presença ativa desses ex-alunos, atuais profissionais de Educação, será fundamental nesse processo".


