De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), embora a taxa de desemprego mundial deva ficar estabilizada em 5,5% em 2018, os empregos precários tendem a crescer neste ano. A projeção está no relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2018, divulgado pela OIT. Entre empregos precários estão trabalho autônomo, de meio período ou sem vínculo formal. Em 2017, 42,5% dos trabalhadores no mundo estavam nessa condição, totalizando 1,39 bilhão de pessoas. Para 2018 e 2019, a expectativa é de que mais 35 milhões de trabalhadores passem a ocupar postos assim, totalizando em 2019, de acordo com as projeções da OIT, 1,42 bilhão de pessoas com vínculos precários de emprego.
Essa forma precária de trabalho é mais comum em países mais pobres. Nas nações em desenvolvimento, 75% dos empregos são vulneráveis. Já nos países chamados de emergentes, o índice é de 46%. Nos mercados mais ricos, essa taxa cai para 42%. Segundo o professor José Dari Krein, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), há um movimento em diversos países de flexibilização das relações trabalhistas que estimula o surgimento de postos precários, com ocupações em tempo parcial, autônomas ou por demanda. Ele conta que na Inglaterra, por exemplo, os empregos denominados “zero hora" já representam 30% do mercado. Esse tipo de contrato, a exemplo do trabalho intermitente criado na reforma trabalhista brasileira, prevê que o trabalhador fique à disposição de um empregador mas só receba pelo tempo efetivamente cumprido.
Na Alemanha, apesar da taxa de desemprego estar abaixo dos 5%, há o crescimento da modalidade conhecida como “mini jobs" (mini empregos, em tradução livre), de curta duração. Nos Estados Unidos, que tem taxa de desemprego de 4,9%, de acordo com Banco Mundial, há 40 milhões de pessoas em ocupações precárias, diz Krein. No Brasil, com a criação da figura do Microempreendedor Individual (MEI), houve uma migração importante de pessoas para essa forma de prestação de serviço. Em 2017, já eram mais de 7 milhões de MEIs, segundo o Sebrae. “Metade desses eram assalariados antes. Ou seja, você supostamente é empregado, mas perde diversos direitos e proteções trabalhistas. Isso significa uma inserção [no mercado de trabalho] muito mais precária", aponta o professor. (Agência Brasil)


