O Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação do Vasco e do município de Duque de Caxias pela construção irregular de um Centro de Treinamento na cidade. Conforme o MPF, as obras foram feitas em área de manguezal, sem licença ambiental, em trecho da rodovia Washington Luiz Km 120. Na ação civil pública, o órgão MPF o pediu a condenação do Clube ao pagamento de indenização de R$ 500 mil pelos danos causados e que este deixe de exercer qualquer atividade no local. O CT Almirante Heleno de Barros Nunes foi inaugurado em agosto de 2006. O MPF pede ainda a condenação do IBAMA e do INEA por omissão na fiscalização.
Segundo o MPF, no terreno houve um aterramento que causou um acelerado processo de descaracterização e supressão da vegetação de mangue, segundo as alegações do órgão. A degradação ambiental atingiu uma área de cerca de 1 mil metros quadrados. No local, existem resíduos caracterizados como demolições, escavações e identificações. Ainda segundo o órgão, o CT foi construído sobre parte significativa do manguezal e o Vasco continua utilizando-o por meio de um campo de futebol e dois equipamentos do tipo container. Demonstrou-se também que a degradação ambiental se deu principalmente em função dos aterramentos efetuados.
A briga já acontece desde 2007, quando a Associação Ecocidade moveu ação civil pública para interromper as obras do CT do Vasco. Houve ação também no âmbito estadual, que paralisou as obras e gerou um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o clube e órgãos ambientais estaduais, em que ficaram definidos o reflorestamento da área degradada e a construção de uma faixa marginal de proteção do manguezal. Contudo, além de o Cruzmaltino não ter cumprido algumas obrigações do TAC, a área em questão pertence à União, por isso o MPF defende que os danos causados devem ser analisados na Justiça Federal.
O terreno foi doado pela União ao clube, que repassou metade ao município para a construção do Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo, na primeira gestão de Washington Reis. Em contrapartida, segundo o MPF, o município se dispôs a realizar obras do CT no local. Durante o processo, foi realizada perícia, que confirmou as alegações da ação e apontou a existência de degradação ambiental de uma área de cerca de mil metros quadrados, decorrente de um aterramento que causou um acelerado processo de descaracterização e supressão da vegetação de mangue. As obras realizadas atingiram parte significativa do manguezal.


