Governo lança Plano Safra 2026/2027 de R$ 525,1 bilhões e redução nas taxas de juros
- jul 01, 2026
Programa reduz teto de juros no Pronamp e no custeio, além de premiar práticas sustentáveis com descontos adicionais
O governo federal lançou oficialmente, nesta terça-feira (30), o Plano Safra 2026/2027. Consolidado como o principal mecanismo de estímulo ao setor agropecuário do país, o programa vai destinar o valor recorde de R$ 525,1 bilhões exclusivamente para a agricultura empresarial ao longo do próximo ano agrícola.
O montante supera em R$ 9 bilhões (um incremento de 1,7%) o orçamento da safra anterior, que foi de R$ 516 bilhões. Quando somado aos cerca de R$ 85 bilhões direcionados à agricultura familiar, o suporte financeiro global do governo ao setor agrícola ultrapassa a marca histórica de R$ 610 bilhões.
Do orçamento total de R$ 525,1 bilhões para as empresas do agro, R$ 384,9 bilhões serão reservados ao custeio de despesas operacionais essenciais, como manutenção de lavouras e rebanhos, comercialização e aquisição de insumos. Os R$ 140,2 bilhões restantes serão aplicados em investimentos de modernização, incluindo inovação tecnológica, irrigação, renovação de maquinários e ampliação da capacidade de armazenagem nas propriedades.
Alívio no crédito e foco no médio produtor
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o principal avanço desta edição é o recuo nas taxas máximas de juros em linhas estratégicas. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), por exemplo, o volume programado atinge R$ 72,6 bilhões, com juros fixados em um teto de 9% ao ano — abaixo dos 10% cobrados na safra passada.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressaltou também que a taxa do custeio empresarial recuou de 14% para 12,5%. Ele classificou o agronegócio como “um dos grandes pilares do desenvolvimento nacional” e defendeu políticas robustas:
“Talvez, nenhum instrumento representa melhor essa escala do que o Plano Safra, que pertence ao Brasil, e que a partir de 2003 se transformou na principal política pública de crédito rural do Brasil. Uma das políticas públicas mais longevas da nossa história”, apontou o ministro.
Confira a tabela detalhada das Taxas de Juros (2026/2027):
Linha de Crédito / Programa | Taxa de Juros (ao ano) |
PCA até 12.000 toneladas | 8,0% |
RenovAgro Ambiental e Recuperação/Conversão de Pastagens | 8,5% |
Pronamp | 9,0% |
RenovAgro e PCA | 9,5% |
Inovagro | 11,5% |
Proirriga e Investimento Empresarial | 11,5% |
Moderfrota Pronamp | 11,5% |
Prodecoop e Procap-Agro | 12,0% |
Custeio empresarial | 12,5% |
Moderfrota | 12,5% |
Sustentabilidade e gestão de riscos
O novo plano estreita os laços com a agenda verde, oferecendo premiações financeiras aos produtores que comprovarem responsabilidade ecológica. O desconto na taxa de juros de custeio pode chegar a até 1,0 ponto percentual: sendo 0,5 p.p. para propriedades com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e outros 0,5 p.p. para quem adotar práticas sustentáveis e certificações reconhecidas.
Paralelamente, as regras de conformidade foram enrijecidas para blindar o sistema financeiro. A renegociação de operações de custeio agrícola agora está condicionada à contratação de coberturas de proteção, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou seguro rural de mercado.
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Estabilidade econômica e balança comercial
Durante o evento realizado no Palácio do Planalto, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, enfatizou que o governo cumpriu o compromisso de expandir o crédito reduzindo o custo do dinheiro, celebrando os ganhos recentes do agro brasileiro diante do cenário externo desafiador:
“O crescimento do Plano Safra é um valor recorde. Mais de meio trilhão de reais. E com juros mais baixos. Este era o objetivo”, disse Alckmin, citando a superação do setor “mesmo com o tarifaço” imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Sobrou, da diferença entre o que exportamos e o que importamos, R$ 149,2 bilhões. Isso tem um efeito fantástico na economia, no sentido de estabilidade, de fortalecer a economia brasileira”, emendou Alckmin, reforçando que a melhoria na infraestrutura de escoamento é prioridade da gestão.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou o esforço conjunto para alinhar as demandas do campo à responsabilidade fiscal e ao equilíbrio das contas da União:
“A cadeia do agronegócio representa, hoje, mais de 25% do PIB nacional. E é muito importante que um setor tão expressivo da nossa economia tenha a estabilidade de planos safras subsequentes e o compromisso das equipes de governo de debater temas espinhosos, como a renegociação das dívidas rurais e o seguro rural”, declarou Durigan, lembrando que o segmento responde por metade das exportações do Brasil.
Representando o setor produtivo, o diretor de Relações Corporativas da Inpasa, Guilherme Nolasco, sinalizou o papel do programa no fomento à inovação global e desenvolvimento regional:
“O Plano Safra é mais do que crédito. É confiança em quem planta, investe e trabalha. Do pequeno ao grande produtor, e também das cooperativas que organizam, integram e fortalecem o desenvolvimento regional”, concluiu.
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