O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse acreditar que a inflação dos próximos três meses deverá ser menor do que a registrada em abril, quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,64%. "A inflação em março veio abaixo de nossa expectativa. Em abril, a inflação veio acima da expectativa do Banco Central. Nós estamos em um processo de convergência da inflação. No pico, em setembro, [no acumulado, em 12 meses] foi 7,31%. Já caiu mais de 2 pontos. E, hoje, em abril, a inflação medida pelo IPCA está em 5,1% [em 12 meses]. Nos próximos três meses, a inflação mensal no Brasil será inferior à inflação mensal registrada em abril", estimou Tombini, ao abrir o 14º Seminário Anual de Metas para a Inflação, na sede regional do BC do Rio, na quinta-feira (10).
Tombini considerou que o fortalecimento do dólar em relação ao real, nos últimos dias, é parte de um movimento internacional de apreciação da moeda americana. E também não demonstrou preocupação com o aumento dos gastos dos brasileiros nas viagens ao exterior. "Não tem nem um item da balança de pagamentos que tenha preocupação particular em relação ao país. O Brasil tem uma situação no balanço de pagamentos tranquila. Este ano, mesmo com a evolução da economia internacional menos favorável, nós não teremos qualquer dificuldade de financiar nossa posição de balança de pagamentos, inclusive considerando qualquer item individualmente". O presidente do BC disse ainda que o crédito para financiamento de veículos deve voltar a crescer e previu uma aceleração da economia nacional nos próximos meses. "Olhando para a frente, nossa economia vai pegar tração ao longo do ano e vai crescer mais do que no ano passado, [crescendo] mais no segundo semestre."
O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Luiz Awazu Pereira da Silva, disse dia 9, após o lançamento do Plano de Ação para Fortalecimento do Ambiente Institucional, no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que a tendência de queda dos juros reais ocorre “em função dos melhores fundamentos macroeconômicos". A isso, junta-se, também, o esforço da autoridade monetária para que a inflação convirja para o centro da meta (4,5% ao ano). Quanto à questão da inclusão financeira, foco do plano de ação apresentado momentos antes pelo presidente do BC, o diretor disse que a autoridade monetária tem atuado de forma decisiva para que o atendimento bancário chegue a todas as parcelas da população. Notadamente às camadas de menor renda.
Esforço para aperfeiçoar a inclusão financeira
Apesar dos esforços empreendidos para ampliar e melhorar o acesso da população aos serviços bancários, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, ressaltou que a autoridade monetária prioriza três linhas de ação para aperfeiçoar a inclusão financeira: a identificação da demanda existente por serviços financeiros, o aprimoramento do marco regulatório e a promoção da educação financeira com transparência. A revelação feita durante o lançamento do Plano de Ação para Fortalecimento do Ambiente Institucional, no último dia 9, no auditório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em solenidade que contou também com participação da assessora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Desenvolvimento Financeiro Inclusivo, Princesa Máxima dos Países Baixos, e do diretor técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos.
Tombini destacou que desde a década de 1990 o BC vem atuando na expansão e fortalecimento dos canais de acesso a serviços financeiros. Para tanto, criou instrumentos efetivos para melhor adequação dos serviços às populações de menor renda e garantir a qualidade na provisão dos serviços financeiros. Ele destacou a importância do correspondente bancário, que presta serviços bancários aos municípios sem instituição financeira. Além dos correspondentes, presentes nos 5.565 municípios do país, Tombini ressaltou também a atuação do BC no fortalecimento das cooperativas de crédito. Outra “peça fundamental", segundo ele, para o atendimento a setores específicos, especialmente na operação com crédito rural para associações produtivas. Na década passada, as cooperativas foram ampliadas de 2,6 mil para 6,4 mil, e o número de cooperados aumentou de 1,5 milhão para 5,1 milhões. Tombini disse ainda que em 2000 existiam 19 mil correspondentes bancários em operação no país. Número que saltou para 150 mil dez anos depois, em resposta ao esforço do BC de levar serviços bancários às populações mais desassistidas.


